O som do silêncio

Há aqueles dias em que meus poros demandam certo tipo de silêncio. Interno e externo. Só ele me basta, ainda que possam existir as mais leves e suaves canções.

É um instante que pede para estar sozinho, mas não necessariamente solitário.

Pode ser um grito disfarçado de sussurro, nem sei bem… Só recebo a mensagem e compreendo que, nesse determinado momento, TUDO – tudo mesmo – precisa de uma pausa.

Meus ouvidos se cansam com notoriedade de todo o barulho que vem de fora, pois qualquer mínimo som parece ensurdecedor.

As ondas sonoras invadem a alma de imediato e se confundem com as estranhezas de dentro.

O único ruído que me resta, já no quarto escuro, é o tic-tac do relógio. Esse já não posso conter, a menos que resolvesse parar as horas.

Sinto que, a cada noite, outra história tenta se reescrever e não consegue. A fadiga a leva, então, a esmorecer no silêncio.

Uma nova manhã chega e, com ela, a mesmice e a bênção de ser quem realmente se é. Um amargo e solitário conforto.

O doce e o azedo na mesma medida, como se pudessem ser colocados na balança o tempo todo.

Talvez viver seja algo como uma mistura inevitável de sensações, que nascem e morrem ali, bem no fundo de nossos olhos.

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5 comentários sobre “O som do silêncio

  1. Claudia Costa disse:

    “Talvez viver seja algo como uma mistura inevitável de sensações, que nascem e morrem ali, bem no fundo de nossos olhos.”

    Sorte de quem é muitas coisas além daquilo que sente.

    Lindo texto, reflexivo, inteligente, otimista de forma coerente.

    Você sempre escrevendo seu melhor.

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  2. Inge Lobato disse:

    Que belo dom você possui de desnudar a alma do leitor com suas “linhas agridoces na medida certa”. Nelas, não é possível passividade, aceitação. Releio seu texto atentamente, várias vezes, para saber de mim, para aceitar os silêncios que não pude resolver, e deixei morrer no fundo dos meus olhos. Parabéns pelas lindas e sensíveis linhas do post de hoje. Beijos da fã!

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  3. Madalena Barranco disse:

    Querida Tatiana, você sempre mexe com minha alma pela profundidade de suas letras… No fim, a única coisa que importa, mesmo além das sensações é ser o que se é, e ter a coragem de ser assim. Te admiro, querida. Beijos

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