Um despertar…

“Eu hoje tenho a sorte de poder
viver apenas UM DIA de cada vez,
Apenas um romance enquanto o sentimento permite,
A sorte de poder PRESTAR ATENÇÃO a quem fala comigo,
A sorte de poder OLHAR e VER quem me dirige a palavra,
A sorte de não estar no ritmo alucinado da ansiedade,
A sorte de apreciar o belo, o bom e o construtivo.
Porque HOJE eu estou em mim.”

– Cláudia Costa –

O tempo acabou. Quase não me sobrou nada, é fato.

Mas, talvez o que reste se configure suficiente para montar um quebra-cabeça lúdico, outra nova ciranda sentimental, uma roda-gigante de medos que possa ser, minimamente, reinventada em seu íntimo.

Não tenho mais em mim a pausa da vida. Qualquer resquício de brevidade se calou nos atalhos do meu coração, pois precisou oferecer espaço a novas sementes, ao pulsar das escolhas.

Ainda há certos ensaios e bastidores, é claro…

Isso porque eu jamais conseguiria viver sem o ócio que permeia cada uma das entranhas de uma decisão corrida.

Preparei-me para o deleite e cá estou a lambuzar-me, sem saber exatamente o sabor das cores e dos ventos a seguir.

O que sei é que me faço aqui, presente, buscando ser inteira a cada passo.

Tudo aquilo que existe no meu presente é permeado por uma busca variada e múltipla de desejos que se misturam em um extremo sonhar, com delicioso gosto de realidade.

Ofereço, pois, um brinde ao meu suave despertar.

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3 comentários sobre “Um despertar…

  1. Inge Lobato disse:

    Que texto maravilhoso! Eu lembrei um pouco dos ciclos que somos obrigados a passar durante a vida. Tenho impressão que nenhum dos ciclos é plenamente doce ou amargo. Saborear o doce enquanto o ciclo não acaba e aprender com o lado amargo ajuda-nos a iniciar novos ciclos, mais complexos, porém não menos alegres ou difíceis. Faz parte da aventura de crescer, de viver, de sermos mais inteiros. A infância pode ser doce, com sua irresponsabilidade alegre, mas precisa dar lugar à descoberta do mundo na adolescência (e ao seu tédio infernal, convenhamos), que por sua vez precisa ser encerrada para dar lugar à vida adulta, onde a liberdade dos atos representará não só uma alegria, mas também uma enorme responsabilidade. Saber reconstruir-se e entender o que cada ciclo pede não é fácil, mas isso você faz lindamente, além de nos brindar com seus maravilhosos textos. Brinco que todo novo ciclo forma um cozinheiro mais experiente, com habilidade de usar novos ingredientes e temperos, e capaz de fazer da vida um prato melhor, na medida certa de sal e açúcar. Ou você aprende a temperar a vida, ou ela te azeda. Um beijo da fã!!

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