Entre o caos e o breu…

“Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.”

– Clarice Lispector –

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Tenho espaços aqui dentro que se alternam constantemente entre lacunas e exacerbações.

Sim, é certo, nunca soube lidar claramente com o bom senso e o provável equilíbrio da harmonia entre as sensações.

Mas o fato é que vivenciar todos os dias essa variação insólita, por vezes, me cansa.

Reconheço-me como imagem fielmente estampada no espelho e, poucos segundos depois, já nem sei mais quem sou…

Quem fui? O que poderei ser? Isso quase não importa quando me desvencilho de mim…

Talvez seja mesmo ilusão, por ora, acreditar que o ser humano se identifique como o que realmente é.

Somos tão distantes do nosso ideal que perdemos a noção daquilo que, de fato, existe em nós.

Penso que, também, o que quero se configura bastante inexato perto do que meu corpo e meu coração aceitariam como prova concreta de vivência.

Em meio às minhas limitações, estabeleço pequenos ensaios de memórias ainda não vividas.

Desconheço-me em pedaços.

Refaço-me toda.

Sou.

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4 comentários sobre “Entre o caos e o breu…

  1. Inge Lobato disse:

    Acho que esse medo de não nos controlarmos, de não nos sabermos por inteiro é muito humano, e por isso nós tentamos nos enquadrar em um determinado modelo de comportamento. Mas nossas atitudes e sentimentos muitas vezes contrariam o que pensamos de nós mesmos. E é normal, pois tudo no mundo se transforma, e nós somos mutáveis também. Parafraseando Raulzito, somos “essa metamorfose ambulante.” A sociedade nos cobra uma série de comportamentos, e por mais que neguemos, todos estamos submetidos a essa cobrança social. Então, abandonar-se vez em quando, não se exigir tanto, é uma ótima forma de eliminar essa pressão. Já temos tantas cobranças sociais, por que virarmos verdugos de nós mesmos, né? Aceitemos o que somos, sem nos preocuparmos se é o que esperamos de nós mesmos. Beijos da fã!

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  2. Rosamaria disse:

    Oi Tati!

    Parabéns pelo cantinho novo, eu apaixonada por P/B, nem preciso dizer que amei!

    Vivemos num mundo em que muitas vezes alimentamos expectativas e colhemos o vazio, o amadurecer, o clarear dos olhos não é tão doce, como Caio Fernando dizia, mas somos boas gurias rs, aprendemos fácil e rapidinho damos a volta por cima. Tenho muito orgulho de você! Beijo grande

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  3. Lunna Guedes disse:

    Seu escrito me fez pensar no trecho de um escrito da Martha Medeiros que circula pelo facebook. Temos medos. Temos incertezas. Temos tantas coisas que acalentadas se multiplicam e alimentam essa memória não vivida mas que no dia seguinte nos leva a condição de pessoas que desenham saudades. rs
    bacio

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