Sutilezas e canções

Talvez eu não tenha nascido música, mas a canção nasce todos os dias dentro de mim.

Senti vontade de compor certos versos que tilintassem fundo no íntimo dos viventes.

Na alma dos que caminham ao redor sem que, sequer, possamos perceber, mas em sua base existencial se configuram tão humanos quanto a nossa própria essência.

Nasceu em mim, pois, o desejo de me soltar em um blues, de propor um jazz despretensioso, para sentir os embalos daquela desconhecida canção.

Busquei acordes leves na guitarra e pude imaginar o corpo se expandindo em música, como se sempre tivesse sido parte de um ritmo, de uma batida despropositada…

Por fim, após um passeio nitidamente rápido pela magia de outros instrumentos musicais, arrisquei o sonho de tatear o piano que ficava no quarto dos fundos.

Confesso ainda estar um pouco tímida, pelo raro contato que tínhamos, mas a sede curiosa por sua sonoridade falou um tanto mais alto em meu coração.

Sentei-me na bancada densa e pude, então, degustar as notas que se confundiam e misturavam entre os dedos.

Flutuei entre um ‘fá sustenido’ e um ‘si maior’, enfeitando-me de ‘do-re-mi’.

A partir de tal instante, o prazer da sutileza harmoniosa entre os sons adentrou o caminho das minhas memórias… e nunca mais fui só.

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3 comentários sobre “Sutilezas e canções

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