Um surto pelo excesso…

Não sei ao certo em que momento me permiti afundar nesta tragédia sem fim…

De repente, vi-me envolta por monstros, sem forma nem cor – apenas tato.

O bom senso se afastou de mim, largou-me em uma paragem outra do caminho. Fui tentando seguir sozinha, mas a covardia falou mais alto, deixando-me isenta de um solo sequer.

Já não pude me guiar, nem conduzir a palavra sagrada à razão profana. As emoções suprimiram o riso nervoso e também a lágrima sincera, fazendo-me lesa de minhas próprias percepções.

E eu andei, sim, da maneira que me era conhecida. Não para onde gostaria de ter caminhado, segura dos fatos, e sim a lugares que permitiram a minha entrada – ainda que forçada.

Esbarrei em portas trancadas que se abriram de supetão, num escombro de voz. Arrombei maçanetas e não quis muito saber o que havia do outro lado.

Tão somente prossegui de cara lavada, afinal, fé era um dos poucos artifícios que me restavam depois de sucumbir aos vícios…

Afoguei a melancolia num mar de solidão. Transformei tristeza em raiva e me alimentei do inchaço das horas.

Sufocada por meus próprios braços, lutei com unhas e dentes para provar que era verdade o que eu nem mesmo conhecia. Já não seria possível sentir amor vivendo assim.

Naquele instante, morri – entremeada por uma loucura nunca antes sentida. Parti deste mundo insano por perceber, enfim, a total incoerência dos fatos.

Talvez um dia eu resolva voltar, embarcando em certo trem que me leve a estações mais serenas de outra vida. Ou, fique ali mesmo, sabe-se lá onde esse ‘ali’ reside.

Mas, por hoje, decreto a morte. Um surto pelo excesso.

Uma parte de mim se vai e eu não desejo pôr absolutamente nada em seu lugar.

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3 comentários sobre “Um surto pelo excesso…

  1. Lunna Guedes disse:

    Ah minha cara, voce me fez voltar a um texto meu, escrito em tempos outros quando eu pensava numa espécie de satisfação quanto a morte dentro do sonho, o problema ficava sempre entregue ao despertar. Todas as falácias voltavam com a força de um sol em pleno verão. rs

    bacio

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  2. Joakim Antonio disse:

    Da aparente morte da semente, brota a árvore, pois o findar é seguido pelo começo, mesmo que não notemos,

    Deixemos morrer o que já secou, quando consciente, só nos faz bem.

    Beijo e uma linda vida!

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