A minha realidade não existe.

Desde o princípio dos tempos, quando não havia sombra nem brisa, tornei-me um sopro que se quis verdade.

Fui fiel ao canto que ouvi ao longo daquelas noites e, pausadamente, construí o que pensava ser real.

De fato, não era apenas um pensamento. Eu tinha as minhas certezas e quem refutasse poderia ser comparado a um mero bobo.

Boba, talvez, tenha sido justamente eu, ao pensar que a sorte de um bom encanto pautado no sonho satisfaria os impulsos da vivência.

Tentei, sim, criar traços de concreto. Expus o cimento ao chão e idealizei castelos, que não eram feitos de areia nem de vidro, muito menos de aço.

Eles se compunham de alma. E eu me via ali, completamente entregue àquela essência que havia derramado de mim.

Aos poucos, bem aos poucos mesmo, compreendi a mensagem. Eu não havia feito nada. Eu não era nada.

Um punhado de lembranças se vislumbrava em algum lugar, à minha espera, aguardando ser agarrado por mãos fortes e sadias. Mas eu não sabia bem por onde iniciar a procura.

É… Por muito tempo, deixei tudo espalhado naquele canto que não visitei, à esquina de qualquer essência.

Foi na catarse que pude parar de aceitar o limbo das ilusões, correndo em busca dos resquícios perdidos no livro da minha própria história – ainda em branco.

Deu-se o começo, pois, de uma intensa e nova perspectiva. Um caminho de folhas caídas que cedia espaço às sementes do nascer.

Precisei dar o primeiro passo para me reinventar.

Porque, até o presente instante, a minha realidade simplesmente não existe.

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5 comentários sobre “A minha realidade não existe.

  1. Karina Williams disse:

    Uau… você é de uma profundidade e coerência absurda e olha que combinar esses dois elementos é uma tarefa pra lá de árdua e na maioria das vezes o que lemos são fracassos poéticos aplaudidos por uma mídia cega. Parabéns Tatiana, jamais construa comportas que ousem barrar a enorme vazão de sua alma. Beijos*** Karina

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  2. Joakim Antonio disse:

    Desconstruir para se reerguer, completamente novo. Quando observamos o nosso universo, entendemos porque os mestres dizem tanto, “Molde-o!”.

    Dá pra se debruçar sobre cada linha, minha querida.

    Beijos Tati e uma linda vida!

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  3. Inge Lobato disse:

    Suas linhas conseguem sempre reeditar minhas histórias passadas, como se eu pudesse agora recontá-las, mas de uma forma muito mais poética. É bater o olho e pensar: puxa, já vivi isso, mas não me lembro de ter sido tão profundo e poético assim, rsrsr… Não é à-toa que gosto tanto de seus textos, já que economizo o dinheiro da terapia lendo eles. Acho que todas as experiências são válidas pois, sem elas, jamais saberíamos distinguir o que vale à pena viver novamente e o que não precisa mais se repetir em nossas vidas. E é bonito quando a gente precisa se reinventar, se reorganizar, se refazer, se lapidar. O diamante é o material mais duro que existe na face da Terra, e somente as mãos habilidosas de um bom lapidário podem revelar todo seu brilho, sendo perigoso, inclusive, entregá-lo a mãos nem tão hábeis assim, com o risco de perder a pedra inteira. Em pedras grandes, o processo de lapidação pode levar mais de um ano. Assim somos nós, quanto mais a vida nos lapidar, maior será o nosso valor e o nosso brilho. Beijos da fã

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  4. Lunna Guedes disse:

    Minha cara, eu sempre me pergunto o que é realidade e como se constrói essa tal realidade? De onde se origina todas essas coisas e para onde vão? Se é que vão…
    Por isso acho que prefiro o imaginário onde tudo tem começo, meio e fim. rs E em último caso Dionísio está de prontidão. rs

    bacio

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  5. Evanir disse:

    Mesmo Diminuindo Meus Paços
    Mesmo Demorando Minha
    Chegada Do Outro
    Lado Da Ponte.
    Não cortarei pedaços
    Para Diminuir
    O Peso
    Que Eu Carrego.
    Mesmo Se A Dor Apertar.
    Na Minha Fé Deposito
    Minhas Esperanças
    Em Deus..
    Deus abençoe sua semana caminhas de flores e muito amor
    Beijos carinhos sempre.
    Evanir….

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