Existência

Eu sou aquela que queria ser outra

Mas, na tentativa sôfrega de silêncio, sucumbiu à essência

Foi milagre, salto pulsante de ideias e cores

E se fez viva como nunca imaginava ser

Eu sou a promessa insólita, a dívida do fraco

A incoerência do forte em se fazer digno de luta

Fui seresteira do mato, hoje busco alento

E canto, porque tudo o que sei é cantar

Eu sou a troca do inusitado, magia daquela época

Sopro de susto, nascida à beirada

Mas vivente, juíza final da sombra que se fez luar

Apenas berço aspirante a um crescer

Eu sou a poesia desejosa do mundo

Com um universo à parte, para não esfriar

Uma vontade insana de grito, mesmo que seja para dentro

Pois é aqui no íntimo que vivo, este é o lar que me abriga

Eu sou esta que vos fala

Não sei se um dia serei outra, nem o quanto adentro em mim

Mas o eco das palavras me traz uma espécie de certeza

Das horas, dos fatos, da vida…

 

De um lugar chamado existência.

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6 comentários sobre “Existência

  1. Joakim Antonio disse:

    Acho que cabe bem, aqui, uma frase de, O guardador de rebanhos, “As coisas não têm significação, têm existência.”

    Maravilhoso minha querida, és encantadora das letras. 🙂

    Beijo e linda vida Taty, inspirando letras e expirando versos!

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  2. Ingrid disse:

    o que é a existência do poeta?..
    fuido ser em névoa límpida que transforma sentimentos em sílabas..
    intenso teus sentir querida..
    sempre ler e reler…
    beijos de carinho..

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  3. Helia disse:

    Esse poema-canção parece que foi feito pra embevecer nossas almas, nossos corações.

    Tanta singeleza, tanta leveza e, ao mesmo tempo, tanta profundidade…

    Como é possível?

    É sempre possível, quando vem de você!

    Sua existência me faz feliz!

    Lindo!

    Beijos! ^^

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  4. Inge Lobato disse:

    Amo quando leio um texto e vejo a vida pulsando nas linhas, como se o escritor fosse um roteirista e suas linhas atores que colorem o texto ao máximo. E dessas linhas surge você, inteira e flexível, como a vida exige de todos nós. Lendo esse texto, imagino você em mar aberto, dando braçadas na correnteza para viver, para não se afogar. E parece perguntar para quem passa perto de você: sabe nadar? Vem, que eu te ensino! Você é isso: flexibilidade e generosidade à serviço do próximo e da vida. Lindo demais! Beijos da fã!

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