O beco do amor…

Confesso que algumas ideias que tenho sobre o amor, por vezes, me incomodam. Há dois momentos distintos nessa trama.

O primeiro é aquele que me cerca a ironia dos pensamentos: vou caminhando, até o instante em que encontrarei aquele famoso amor idealizado, no formato dos filmes, quase aquela figura do príncipe encantado que vem me buscar à cavalo, rumo a um lugar distante e fugaz…

Já o segundo diz respeito ao amor rotineiro, que supre o vazio e se configura como é. Como pode ser. Alimenta, renova, conforta. Mas talvez nunca surpreenda além daquilo que já se tornou até então.

Ambos me levam ao beco. A um espaço vazio, sem grandes rumos. É em meio a eles que me vejo só, pois esbarram em exacerbações que desalinham o meu sentir.

Acontece que essa solidão de alma nem sempre se faz ruim, pois me aproxima de mim mesma, ainda que em excesso possa provocar medo

Em instantes de pequena lucidez, acredito que certa espécie de cura e mudança (se é que existem) esteja em compreender que o amor, por vezes, pode ser mais ameno e simples do que parece.

Ele está num gesto. Num mimo. Na preocupação diária que traz o olhar atento do outro. No compasso de espera pelo próximo abraço, por uma troca sincera, pela conversa no café que pode, inclusive, salvar uma vida.

Pode ser que o sentimento não se resuma, tão somente, em si próprio. Talvez a lição seja que o amor se manifesta de diferentes modos em cada pessoa.

E vamos vivendo. Sucumbindo. Aprendendo que amar é uma ação tão efêmera quanto nossas decisões e tão sublime como a visão de mundo que escolhemos sonhar.

Assim, tentamos evitar a queda no beco sem saída, de melancolia e isolamento.

Amamos pela beleza e triunfo do amor, aguardando que nós mesmos sejamos, enfim, a figura que corresponda um dia à semente que se plantou… num coração repleto de esperança.

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4 comentários sobre “O beco do amor…

  1. Joakim Antonio disse:

    o beco é do amor, mas outros sentimentos podem entrar e como ele é acolhe_dor, deixa até ocuparem a cama, fazer morada; pois o beco é do amor, mas a entrada é controlada pelo dono.

    Beijo querida Tati e uma linda vida, no mais puro amor.

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  2. Denise Oliveira disse:

    o inevitável beco do amor.
    o amor talvez seja o início e fim de cada ser humano, amar e ser amado, tudo o que nascemos para exercer.
    agora que vi que mudou pra cá, não abandone os amigos blogueiros Tati!

    Beijinhos.

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