Daquilo que (sobre)vive…

“Encarar a vida pela frente… Sempre. Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é. Por fim entendê-la e amá-la pelo que ela é. E depois deixá-la seguir… Sempre os anos entre nós, sempre os anos… Sempre o amor. Sempre a razão. Sempre o tempo… Sempre… As horas.”

– Virginia Woolf –

Passei algum tempo afastada dos meus cantos preciosos, de modo geral. É engraçado dizer isso, uma vez que precisei abandonar palavras para me dedicar a outros tantos versos da vida.

Mas a gente sabe que, para versar, nem sempre é preciso escrever. Talvez vivenciar… e sentir, até esgotar.

O fato é que, a bem da verdade, nunca estive demasiadamente longe. Fiquei aqui, à espreita, de certa maneira cuidando para que minhas linhas não fugissem para um lugar tão distante.

E agora para cá retorno, sem saber muito por onde começar, mas acho que o simples fato de ter voltado já é um início, por si só.

Acredito não precisar de nada exacerbado que me faça retomar o rumo. Talvez um  gesto ameno, uma morada… Uma decisão. A origem de tudo.

Sou uma (sobre)vivente do mundo. Todos somos. Mas em meu íntimo deduzo que estamos aqui para sobreviver cada vez menos e, quem sabe assim, viver cada vez mais.

Hoje entendo que o que sobrou da tempestade não foi resto. É provável que tenha sido adubo, ou, se assim posso arriscar dizer, a própria semente em si.

Há sempre muito que aprender – em minha opinião, mais com nossos retrocessos do que com nossos avanços.

Mas a gente não pode deixar de persistir. De acreditar que vai ser melhor. De começar e recomeçar, quantas vezes preciso for.

Porque, na hora em que abrimos os olhos e nasce a percepção de que ainda respiramos, penso ser um abuso deixar de aproveitar bem tal oportunidade.

Eu não tenho certezas sobre coisa alguma… e todas as que tive um dia se esvairam. É por esse motivo que não as coleciono mais.

Prefiro andar no equilíbrio da vida e, em meio à linha tênue do sentir, esvaziar minhas emoções.

É assim que (sobre)vivo. E vivo.

E vou.

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3 comentários sobre “Daquilo que (sobre)vive…

  1. Lunna Guedes disse:

    Comecei ficando detida nas frases de Woolf e logo percebi que escreveria o mesmo de maneira diferente, claro. Depois fui escorregando por suas linhas e me dizendo parágrafo apos parágrafo que se trata de um sentir seu, mas é impossível pra mim nao trazer para a minha pele o que leio, vc sabe. Mas eu nao me considero uma sobrevivente do mundo como você porque no meu caso, eu sobrevivi a mim mesma. A todos os meus conceitos, medos e incertezas. O mundo pra mim sempre foi algo ausente para o qual eu me dirijo em dias de chuva. Primeiro porque gosto de poças e segundo porque há menos pessoas para me afrontar. rs

    Bacio

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