Ausência revelada

“(…) me guardo em mim, junto às coisas que jamais senti – e sinto muito ainda (…)”

– Roberta Campos –

Quando a noite chega leve e perene, sem grandes prenúncios do que trará em sua bagagem, fica um pouco mais fácil falar sobre aquilo que sinto e que – por inúmeros motivos – ainda não compreendo… Ou, dizendo bem a verdade, de conteúdos que são conhecidos demais para que eu simplesmente os ignore.

Sobra tanto tempo escapando em minhas previsões de presente e futuro e, paralelamente, tudo passa de modo absurdamente veloz diante deste olhar – que um dia já foi bem mais doce. Talvez eu devesse estar fazendo outras mil coisas, mas toda a minha vontade hoje se concentra em escrever. Colocar para fora. Explodir sensações, antes que elas de algum modo me sufoquem ou transbordem o que eu não aguentaria, necessariamente, enxergar.

Em meio ao embaralhado que aparentemente se torna esta minha rotina, algumas letras e cores traduzem a saudade que eu tenho de você… Sabe, surge uma ausência maior que eu da intensidade que permeava cada uma de nossas trocas e encontros. E, por mais longínquos ou sutis que fossem, esses instantes eram capazes de devolver uma espécie de força para desafiar cada um dos meus limites.

Ao seu lado, ou mais perto do seu coração, não me percebia tão frágil. Era mais fácil manter corpo e alma equilibrados nesta intensa corda bamba da existência. Acho que sinto mais – mesmo -, falta de quem eu era naquela época. É certo que eu morria ao poucos pela extrema negligência que fazia questão de ter comigo mesma, mas talvez fosse mais feliz.

Energia e vigor não me eram negadas. A ilusão se constituía como meu alimento sublime para fazer a vida pulsar. E pulsava… Porque acreditar que é possível tocar o céu nos faz querer estar próximos a ele – mesmo que a gente nem vá – de fato-, um dia tocá-lo.

Sim, há nuances de nostalgia hoje por aqui, diante do muito que vejo à minha frente e do pouco que consigo, ao certo, produzir. Vou esfriar a cabeça, preparar uma trilha sonora leve e ler aquele meu livro – no qual tenho me segurado quase que como bengala…

Enquanto você não está (e eu, também, ando bem longe daqui), caminho na tentativa de me reconhecer – nos incontáveis abismos de mim.

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Um comentário sobre “Ausência revelada

  1. Lunna Guedes disse:

    Eu adoro quando minhas sensações se reúnem todas nesse sentir que transborda em palavras. É justamente quando tudo acontece na tela, no papel… É justamente quando eu sou toda palavras…
    bacio

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