Minha carta à Emily…

“Tudo o que sabemos do amor, é que o amor é tudo que existe.”

– Emily Dickinson –

Sob influência da caríssima amiga Lunna Guedes, que sempre me desperta rumo a ideias interessantes e dinâmicas, fui chamada a um novo desafio.

Uma das últimas edições da Revista Plural – projeto do qual tenho a honra de participar – teve em meio às suas temáticas uma série de missivas inspiradas na poeta americana Emily Dickinson.

O conceito era que cada remetente compusesse a sua carta destinada a uma Emily imaginária – ou à própria escritora em si.

Abaixo, seguem as linhas que arrisquei traçar…

Minha querida Emily,

Há diversas expressões de sentimentos que gostaria de compartilhar com você nesta missiva. Algumas delas, eu confesso, até desconheço a respeito de mim mesma.

Mas, apesar de, por vezes, não ter a percepção de tais intensidades em meu íntimo, entrego todo esse sentir às suas mãos no dia de hoje.

Acho mesmo que conseguimos nos traduzir bem mais com o auxílio do olhar do outro, do que se partirmos apenas de nossas próprias conclusões.

E, confesso a você, cara Emily… Minhas entranhas têm andado um pouco ofuscadas devido aos acontecimentos mais recentes do cotidiano – ainda que eu busque manter certa vivacidade sensível e uma direção atenta às belezas da vida.

Quando a dor chega, ela pode vir a camuflar, em alguns momentos, a nossa essência que, por natureza, teria tudo para ser alegre e repleta de otimismo.

Minha tarefa, ao longo deste emaranhado que é o universo, tem sido retirar os possíveis véus que encobrem a transparência e a emoção do sentir.

Emily, querida alma que traduz minha essência: clamo-te por ajuda em meio a linhas mal escritas, mas que englobam em si as mais puras intenções de afeto, compreensão e desejo de diálogo.

Por favor, auxilie-me a não evitar o contato com aquilo que realmente importa – dentro e fora do meu eixo.

Permita-me ser mais. Deixe-me sentir lá fora a serenata cantante dos ventos.

Mas, suplico: entrelace seus dedos junto aos meus e não me perca de vista.

Pois eu… eu também não posso me perder de mim.

Tatiana Kielberman

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3 comentários sobre “Minha carta à Emily…

  1. Rita L.M. disse:

    Adoro as cartas. Quando adolescente, sempre as escrevia. Tenho algumas guardadas. Sabe aquelas que escrevemos , mas não temos a coragem de enviar? Então… A parte que mais me tocou em sua carta foi: “Permita-me ser mais. Deixe-me sentir lá fora a serenata cantante dos ventos.” Tenho medo, muito medo dos ventos. Nunca pensei (nunca me permiti) sentir a serenata que ele pode fazer. Algo para se (re)pensar. Bjs minha querida

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  2. Aurea Cristina Szczpanski disse:

    Saudade das cartas que escrevia… a letra no papel, tão pessoal; o cabeçalho, com a cidade e a data; as saudações: querida vó Cristina… Espero que estejam todos com saúde… eu quase sempre começava assim, porque achava elegante e atencioso ao mesmo tempo… saudade…

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