A cidade que acena pra mim lá de fora…

“as melhores paisagens surgem
de soslaio
quando não há espera.”

(Lou Vilela)

Faz pouco tempo desde que aprendi a degustar de fato a cidade que habito – e que, inevitavelmente, também mora em mim. A princípio, apenas me via residindo em um prédio qualquer de suas ruas, pois foi aqui que nasci e, do meu ponto de vista, não havia outra opção plausível para onde eu pudesse me mudar.

É bem provável que São Paulo seja mesmo este anfitrião distante ao tomarmos um primeiro contato com as paredes imaginárias que lhe envolvem. Mas, nem por isso é isento de se mostrar acolhedor conforme os anos passam – e assim nos apaixonamos por sua paisagem, cada vez mais.

Eu gosto da diversidade que o cenário da “terra da garoa” me concede. Aprecio cada uma de suas marcas registradas, os cartões de visita e as imprevisibilidades envolvidas em seu ritmo. Penso que comecei a me tornar mais amiga de São Paulo ao deixar de ter medo do que a cidade poderia me oferecer. Não foi um processo fácil. Praticamente um reconhecimento de terreno – absurdamente necessário.

Hoje, defendo seu nome com unhas e dentes. Morar aqui já não se configura mais como uma falta de opção, mas sim pura escolha. Entre pressas, agitos, multidões e vida sem fim, eu sigo preenchendo os espaços paulistas – e sei que há muito mais ainda a ser desvendado.

Talvez este seja apenas o breve início de uma deliciosa e inesperada história de amor…

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2 comentários sobre “A cidade que acena pra mim lá de fora…

  1. Lunna Guedes disse:

    Você sabe que eu sou suspeita minha cara, mas posso lhe dizer também que no começo, lá no distante ano de noventa e quatro eu também senti medo e odiei essa cidade com todas as minhas forças e, fui embora dizendo não mais voltar. Mas voltei e, sinceramente, sinto-me feliz por aqui estar e, por enquanto não tenciono ir a nenhum outro lugar.

    bacio

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  2. Inge Lobato disse:

    É muito bom ler a opinião de um paulistano sobre “sua” São Paulo, já que de tão grande, tenho a impressão que São Paulo tem pra todos os gostos – e desgostos. Eu que tenho um “caso complicado de se entender” com essa cidade desde sempre, encantei-me imensamente com ela nos ínfimos e eternos dias que passei aí. Do pouco que conheci e consegui absorver, quase tive uma pane no sistema com tanta informação, com tantos “muitos” que senti, vi e ouvi: gente, barulho, movimento, cheiros, ruas, línguas, cores, sotaques, e um trânsito que, para mim, pareceu labiríntico e eterno. Adorei sua gente apressada, até pra falar, e os meus dias de Wally, já que de tanto muito e tudo, me senti um detalhe, uma corzinha ambulante a mais nas ruas. Só sei que quero esse “tudo, muito tuuuuudo” de novo. “Sua” Sampa é linda, Tatinha, espero que aquela pizza encantada aí na sua terrinha ainda esteja de pé só pra eu ter desculpa de voltar, rsrsr…
    Beijo imenso!

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