Quando a alma pede um reencontro…

“Escrever deve ser uma necessidade,
como o mar precisa das tempestades –
é a isto que eu chamo respirar.”

[Anaïs Nin]

Ando precisando de mais tempo com as palavras, disse-me uma grande amiga hoje, enquanto tomávamos café… Logo eu, que vivo cercada por textos diversos, na busca de que as linhas façam algum tipo de sentido, primeiro em minha mente – para só depois chegarem até o olhar do leitor.

Contudo, foi inevitável reconhecer quase de imediato que ela estava certa: tenho me sentido farta de vocabulários múltiplos, mas vazia de um significado qualquer. Os dias me pedem para dar conta das tarefas cotidianas e, com isso, isolo-me de um dos meus maiores prazeres: delinear letras próprias, que venham da essência…

Quase todos os meus trabalhos envolvem produção, leitura e edição de textos – e não foi à toa que segui por esse caminho. Sou amante da escrita desde que me entendo por gente e, com sinceridade, posso dizer que é inimaginável viver de outro modo.

Acontece que em grande parte das vezes preciso lidar com linguagens que não me são nada familiares. É como se o tempo todo eu estivesse tomando contato com o meu objeto de estudo pela primeira vez. Nunca passei meus olhos por aquelas páginas – mas preciso agir como se elas sempre tivessem residido em mim.

Talvez seja justamente isso o que me estafe e, de certa maneira, também acabe por me afastar das palavras. Por não conseguir dedicar a elas o tempo e o carinho necessário, vou deixando para depois… e tudo se perde, como num sopro.

Sinto que é hora de finalmente resgatar essa paixão. Reencontrar-me com pedaços meus que ficaram soltos por aí – seja por distração ou devido ao excesso de ansiedade.

Ah… os excessos! Soam-me tão densos e percorrem cada uma de minhas entranhas… Vislumbro o dia em que serei comedida em minhas escolhas – mas entendo que isso de fato só ocorrerá quando eu me desprender deste corpo, que clama por viver e sentir de modo abusivo…

Por ora, resta-me apenas utilizar os instrumentos que tenho nas mãos: algumas horas de cuidado com a tela em branco do computador. O dedilhar por entre as teclas… Uma música de fundo e, quem sabe, as letras voltem a fluir levemente no coração – de onde, ao certo, nunca deveriam ter se ausentado.

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2 comentários sobre “Quando a alma pede um reencontro…

  1. Mariana Gouveia disse:

    Isso acontece com frequência por aqui. Mas sabe, resolvi encarar que quando o texto/poema não fica pronto, é porque não era para ter sido. Enfim…que venham as inspirações.
    beijos

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