Da tentativa de adeus….

Despedir-me de ti é sempre acenar um adeus indesejado. É entoar melodias que o íntimo de minha alma desconhece, uma vez que aprendeu somente a se expressar em tua presença.

Mas, insistente que sou, aqui me coloco para ensaiar aquele que seria o nosso último abraço. Uma tarde de segunda-feira parece ser bastante propícia para denotar solidões – por vezes temidas, mas que soam demasiadamente necessárias quando se pretende encontrar o cerne das coisas…

Confesso que ainda não aprendi palavras suficientes para poder me afastar com firmeza do teu dialeto, que já se tornou tão confortável – tão pleno aos meus olhos e ouvidos… Sinto-me perdida sem tua voz por perto, sem a certeza de que estarás bem ali para mim quando eu precisar.

Penso que talvez eu nem demande tanto assim a tua existência quanto imagino. Insisto em te querer o tempo todo me cercando e vigiando, como uma espécie de parasita em teus compridos braços – que abrigam, mas também sufocam.

Ilusão, utopia ou o quê? Por mais que eu me embriague de ti, o vazio nunca se preenche… Ele permanece latejando em meus poros e, contrário ao meu esforço, aumenta cada vez mais.

Parece não haver barreiras quando as marcas deixadas por teu sangue se derramam sobre a minha pele. E eu só consigo murrmurar de tamanha dor… Quando me excedo em teu prazer, proporcional é a angústia, a mágoa e a frustração. A culpa me faz prisioneira das trevas deste amor…

Espera… eu disse amor? Só posso estar brincando… Amor envolve troca, cumplicidade, sentimento genuíno. Aqui há no máximo uma extrema dependência. Um gozo desenfreado. E só.

Penso que – mesmo contra a minha vontade, e sabendo o quanto será doloroso – está chegando a hora de te deixar à deriva, meu bem… Sem arrependimentos nem riscos de voltar atrás.

Preciso sentir que consigo caminhar sem o aconchego de tuas mãos, pois os espinhos trazidos por elas têm sido mais maléficos que a suposta ternura à qual – de início – nossa relação se propôs.

Hoje, abdico de tua morada para lembrar que existo.
Sem ti, muito mais em mim.

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