Outro mês, outra vida? Acho que não…

“Quero te dizer que nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo dobra-se sempre às nossas decisões.”

[Lygia Fagundes Telles]

… o mês de maio se espreguiçou diante de minha sombra na semana passada, numa tentativa sôfrega de fazer corpo e espírito entenderem que abril havia chegado ao fim… eu tenho dificuldade em lidar com despedidas, finais e rupturas – nunca fui muito boa nisso – e, em se tratando de abril, o mês de minha alma, seria ousadia pedir que o sentimento fosse qualquer outro.

Enxerguei o novo mês caminhando entre as beiradas da rotina e, despretensiosamente, convidei-o a tomar uma xícara de café em minha companhia. Juntos – os dias e eu – acreditei que pudéssemos formar um belo conjunto de sons e tonalidades… Deixei de lado minha resistência contra os novos passos, e parti em meio à fluidez que, por si só, perpassa o caminho.

Maio aterrissou por aqui, já pedindo para ficar um pouco mais… para se esticar no entrelace da correria insana de nossos dias, como quem suplica por um espaço único – diverso – sutilmente simples em sua forma de existir. Instantes que vieram para ser o que são… e isso talvez já signifique muito.

Não sei ao certo o que as próximas manhãs trarão da perspectiva para a minha janela, mas estou pronta a me propor uma espécie de continuidade… Atrelar pausas a um cotidiano que nem sempre oferece brisas de calmaria. Ser inteira ao reviver cada metade que não pôde satisfazer meu íntimo até então.

Dou boas-vindas a maio porque preciso saudar o novo que me interpela, ciente de meus desejos e vontades – e firme nesse limiar de ir ao meu encontro todos os dias… tarefa não muito fácil, mas que renovo a cada outro mês que meu coração alcança…

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4 comentários sobre “Outro mês, outra vida? Acho que não…

  1. Lunna Guedes disse:

    Engraçado, abril passou por mim e eu nem dei por ele. Olhando para trás, não enxergo a maioria de seus dias. Olhando para trás só vejo o poema de Eliot a dizer esse que para ele era o mais terrível dos meses. Mario de Andrade também cita abril em sua poesia, mas com uma suavidade natural que parece combinar mais com o seu olhar e sentir…
    Abril parece ainda estar aqui, tanto que eu mal escrevi sobre maio, apenas algumas linhas que não posso dizer minhas porque certas vozes se fazem sonoras e a gente tende a achar que nos pertencem, como se fosse um eco.
    Engraçado você dizer que precisa ir ao encontro de si mesma, eu tenho percebido que ando ausente de mim, mas não fui a lugar algum. O que me leva a questionar: por onde ando? Aqui dentro da pele, obviamente, trancada a sete chaves no fundo mais fundo – sem fundo… e quando olho no espelho vejo outra que não eu. Sou outra, a que sobreviveu depois que enrosquei-me em figuras que aqui andaram nos últimos tempos.
    Maio? O mês das trovoadas no azul sem nuvens negras. Diferente de janeiro que celebra as tempestades dentro e fora. Eu só tenho silencios e os céus parecem refletir minha anatomia…
    Sua voz me disse em alto e bom tom que preciso encontrar-me em maio, mas como se maio não alcançou-me ainda? Que faço eu? Aceito sugestões… bacio

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