Transição em desaviso

“Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora;
e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro.”

[Virginia Woolf ]

Eu não sei ao certo com que idade comecei a escrever mais frequentemente… talvez beirasse os vinte… e poucos! Tudo o que lembro são linhas de um tempo ainda em transição.

A adolescência se configurou para mim como um período muito intenso, de emoções bastante confusas e emaranhadas… Talvez, por esse motivo, ao adentrar os vinte anos eu já me sentisse cansada de alinhavar sentimentalidades – e almejasse algo novo para o meu círculo de vivências…

Passei a falar de mudanças e transformações em meus textos como se não houvesse amanhã… querendo de fato que o coração entendesse o que era desejo: modificar o ambiente que me cercava, o outro, a vida… mas, acima de tudo, a mim mesma.

De descontente, passei a inconformada… e fui em busca do que jamais havia conhecido – até então – no íntimo que me habitava.

Como já era esperado, mais falei do que vivi, mais escrevi do que experienciei. Contudo, creio que cada detalhe tenha sido absolutamente valioso, pois percebi que tecer diálogos sobre mudanças significa, de algum modo, torná-las possíveis…

Meus escritos de hoje expõem menos voracidade diante das metamorfoses que a vida – inevitavelmente – vai nos trazendo… Aos poucos, aprendi a deixar o tempo fluir sua matemática nem sempre (ou quase nunca) exata… Assim, quando menos espero, a mudança já está lá, feita, diante dos olhos – e, qual não poderia ser a surpresa, por minhas próprias mãos!

Tornei-me arquiteta do meu mundo, como se a escrita de ontem tivesse me permitido acontecer de maneira segura, servindo de alicerce para esse ser que sou. Visto um sorriso ameno, respiro fundo, como que em sinal de alívio e… escrevo em meu socorro!

*Este post é parte integrante do projeto “Caderno de Notas – Terceira Edição”, do qual participaram as autoras Ana Claudia Marques, Ingrid Caldas, Lunna Guedes, Mariana Gouveia, Thais Lopes, Tatiana Kielberman e Thelma Ramalho.

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7 comentários sobre “Transição em desaviso

  1. Mariana Gouveia disse:

    Minha vontade em escrever acho que nasceu comigo e aumentou mais quando eu li um diário. Até então, vivia embevecida por uma parteira meiofadameiobruxameioflor. Conhecendo-te, arquiteta de si mesma, eu agradeço a Deus em reverência. Tu existes e eu sou grata por isso.
    Ler-te me faz tão bem!
    Beijos

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