Em estado de espera…

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

[Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘Antologia Poética’]

Hoje não foi para mim um dia de delicadezas… de olhar para o lado… Degustar uma xícara de café lendo o meu livro predileto… Penso que talvez tenham sido instantes de atropelamento contínuo… passos corridos, que me fizeram engolir ar seco por diversas vezes – sem ao menos notar o ritmo guiando meus vestígios.

Não me permiti o intervalo necessário para o cochilo vespertino, muito menos atentei aos pássaros, que costumam visitar minha janela em seguida ao pôr-do-sol.

Neste dia, eu apenas tentei existir nas lacunas que me restaram – nessa bagunça que quase sempre finjo organizar… mas que tantas vezes apenas se acumula em meus entremeios…

Hoje eu fui hiato – vírgula – excesso de explicações e, em paralelo, uma imensa falta delas. O branco das experiências tomou conta deste abismo chamado vida, e eu me esqueci de como prosseguir… por isso mesmo, olhei para trás várias vezes.

Pode ser que tenha sido somente um dia… uma pequena insanidade, para evitar uma descrença maior no futuro…

Talvez um ensaio… presságio? Dizem que grandes rupturas se iniciam por uma singela quebra… quem sabe seja esse o meu começo!

Anúncios

Um comentário sobre “Em estado de espera…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s