Entre um pulsar e outro… letras!

Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.

Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.

Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.

Um dia em que se possa não saber.

[Sophia de Mello Breyner Andresen, ‘Um dia branco’]

Caríssima L.,

Os dias aqui têm implorado por um sopro de identidade e, sempre que isso acontece, torna-se inevitável me remeter à sua figura…

Explico-me: apesar de qualquer ansiedade que possa invadir suas entranhas, acho admirável a placidez, a tolerância e o discernimento que você demonstra ter em meio aos fatos cotidianos… e me inspiro nessas atitudes que observo para trazer um pouco mais de objetividade, também, ao meu pensar.

Por vezes, percebo que acabo me levando pela emoção – o que ajuda em alguns casos, mas em outros pode se tornar uma grande armadilha, acima de tudo quando se tem prazos a cumprir e tarefas a completar – e, com você, aprendo a “separar o joio do trigo”, oferecendo clareza a cada situação…

É por isso que te escrevo nesta tarde de quinta-feira, quando não estamos juntas no “café entre esquinas” – como você o costuma chamar – mas, ainda assim, sua presença se mantém viva em todos os espaços aos quais dirijo o meu olhar…

Quero dizer-te que é uma sensação muito aconchegante ter um porto a que se dirigir, quando o barco parece quase naufragar ante a nossa perspectiva… e quando nos falta o bom senso para encontrar a melhor saída por conta própria.

Gostaria, também, que soubesse que o meu universo se tornou muito mais interessante depois que você me ajudou a descobrir por onde anda essa tal de identidade, à qual me remeto no início da carta… Talvez eu nem tivesse ciência – antes – do quanto a buscava, mas hoje entendo a falta que me fazia. Ter um norte, em certos momentos, é tudo o que se precisa para dar o primeiro passo.

E você me auxilia a construir e desvendar esse mundo completamente encantador, por meio de leituras, escritas, trocas, cumplicidade e, acima de tudo, por me dizer que é possível enxergar o que há por detrás das cortinas, sem medo do que virá…

Grazie.

Um brinde com gosto de café,

T.

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