Eu nunca aprendi a me despedir…

“São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida…”

[ Milton Nascimento ]

Partir nunca esteve – para mim – entre as tarefas mais simples da vida. É latente em minha memória a dificuldade que tive, desde pequena, para me habituar a essa (estranha) necessidade que a existência nos impõe…

Deixar para trás um punhado de coisas é algo trabalhoso não apenas ao corpo, mas também à alma: esvaziar-se de pessoas, sentimentos, instantes, sonhos, pensamentos, presenças, ilusões… e, por que não dizer, de toda uma realidade em si?

Talvez um leque interessante e precioso de lembranças ainda permaneça – muito vivo – no espaço da mente, até o fim da vida… até o momento em que nossos braços se mostrem extremamente frágeis para suportar bagagens envoltas em saudades…

Mas, havemos de concordar: nenhum suspiro ou recordação é capaz de substituir o valor da própria vivência em si. Passamos por cada história – assim como cada história passa por nós – e já não somos hoje os mesmos de antes.

O que carrego em meu peito é uma amostra. Um aroma… A fragrância daquela que busquei ser – com toda minha essência – dentro do presente que desejei eterno… e que, assim como chegou, também se foi, como um sopro.

Depois da partida, aprendo a remendar os passos, para que a caminhada se faça outra vez… Não há abertura para uma espera exacerbada: talvez apenas a lacuna entre a lágrima que escorre pelo rosto, e o tempo que levo para secá-la.

E, como se fosse a primeira vez – como se a dor nunca tivesse me visitado – negocio amigavelmente com aqueles que avisto chegar pela estrada. Preparo uma xícara de café… repouso o livro recém-começado sobre a cama… e preparo meus lábios para um longo beijo.

Afinal, nunca se sabe quando será preciso partir novamente…

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2 comentários sobre “Eu nunca aprendi a me despedir…

  1. Aurea Cristina Szczpanski disse:

    “Partir nunca esteve – para mim – entre as tarefas mais simples da vida.”
    Outra vez, seu dedinho na minha ferida, Tati. Assim não vale!!! Parece criança que vê o dodói da gente e vai lá cutucar pra ver se sai a casquinha!
    Que bom ler você!
    Beijo

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  2. dycolares disse:

    “E, como se fosse a primeira vez – como se a dor nunca tivesse me visitado – negocio amigavelmente com aqueles que avisto chegar pela estrada. Preparo uma xícara de café… repouso o livro recém-começado sobre a cama… e preparo meus lábios para um longo beijo.

    Afinal, nunca se sabe quando será preciso partir novamente…”

    MEU DEUS. ESSE TEXTO ENTROU FUNDO NA ALMA.
    Eu namoro à distância há 3 anos, então despedidas e saudades é uma coisa que faz parte do meu cotidiano. Essa coisa de contar os dias para ver de novo é algo com o qual tenho que lidar frequentemente.

    Além disso, eu estou fazendo planos para casar, então fico logo pensando no momento da despedida da minha família.. em como vai ser difícil lidar com isso tudo.

    Enfim, que texto lindo. Vou mostrar pro meu love. 🙂

    Beijo!

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