Retratos, 06

06

Os anos se passaram, trazendo uma aproximação natural entre mim e G., que agora não se dava mais apenas em suas vindas ao Brasil, mas sim através de cartas, e-mails e telefonemas… Tentávamos encontrar maneiras de sanar as lacunas provocadas pela distância, ainda que a saudade – ao menos por aqui – se fizesse sempre presente…

O calor do seu abraço me trazia conforto, provocando dentro de mim o sentimento sincero de que “tudo iria ficar bem”… Mas, a proteção que vinha dela não era a mesma que eu recebia de outras pessoas: enquanto me acolhia, também me entregava ao mundo, para que eu corresse riscos, experimentasse o novo e chegasse, enfim, a vivenciar aquilo que nunca antes me permiti.

Seu aroma era vivaz, sempre foi… Apesar da diferença da idade, eu a vislumbrava tão jovem que, por vezes, idealizei que pudesse ser eterna… Como eu desejei, em sonho e realidade, tê-la todos os dias junto comigo! Talvez essa tenha sido uma das minhas mais profundas aspirações ao longo de todo o caminho…

Ela me entregou a vida… e eu já não sabia mais como realizar contornos que me dissociassem de sua existência…

*Este texto é parte integrante da Coletânea “Retratos”, publicada em dezembro de 2014, em formato artesanal, pelo selo Plural Scenarium.

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