Retratos, 08

08

Eu não sei ao certo delimitar o que sempre fez parte de mim… e o que passou a existir somente após a chegada de G. – surge em meu pensamento apenas uma espécie de ruptura entre o que posso chamar de vida e de não-vida…

A não-vida caracterizava a primeira existência que me habitava: ausência de sons – silêncio mortal. Inércia de sentidos. Não havia motivos para ser coisa alguma e, ao longo das horas que se passavam, a perspectiva era apenas uma: fechar-me dentro de mim…

A vida que nasceu através de G. – em cada um de seus singulares gestos – me trouxe a crença num universo do lado de fora… Em um abrir-se para possibilidades… Foi ela que despertou em mim o gosto por tantos infinitos prazeres – cultura, música, leitura, culinária, sexo, arte…

Ao seu lado, aprendi que viajar seria uma atitude absolutamente necessária, caso eu realmente quisesse expandir meus horizontes…

Hoje, quando finco meus pés no chão – um passo após o outro –, levo comigo as lições que G. deixou em minha derme, feito tatuagem… Há em mim um forte desejo de ser seu orgulho, pois sei que – lá atrás, um dia – foi ela que me mostrou que eu também podia sonhar…

*Este texto é parte integrante da Coletânea “Retratos”, publicada em dezembro de 2014, em formato artesanal, pelo selo Plural Scenarium.

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