Arranha-dor

Hoje me rasguei ao meio novamente… Já não é novidade para mim, muito menos para você.

Confundi o doce com o amargo e, em questão de segundos, não consegui mais reconhecer o gosto que penetrava em minha saliva. Mergulhei em mar raso, superficial – inócuo –, que não demorou a adentrar profundezas e terrenos indesejados.

Não queria estar ali, mas você me levou até lá, com sua presença inóspita e seu desafio inadequado… arrastei-me ao porão de suas imundices. E me debulhei em lágrimas.

Pelo dito, pelo não-dito e por todas as dores que ficaram engasgadas em meio à garganta e o coração. Pelo violino que você tocou ao pé dos meus ouvidos, desdenhando ao fato de que ele arranhava notas ao contrário e, com isso, perfurava minha alma.

Preferi me calar… não refutar, afinal, você jamais entenderia. Sussurraria algo ameno para mudar de assunto, porque você só sabe fugir… é apenas isso que você conhece. É tão somente a fuga que te move à vida.

Enquanto brinco de me desmanchar, você finge respirar uma espécie de ar seguro. E seguimos, até que não se lance a voz à imensidão.

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2 comentários sobre “Arranha-dor

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