Cada um tem o espelho que merece…

Tenho ouvido – um sem-número de vezes – que costumo me espelhar em pessoas próximas para construir a realidade e delinear, de certa maneira, as artimanhas que compõem a minha rotina.

Penso que isso acontece não só comigo, mas com todos nós, de modos variados. Buscamos no outro não apenas aquilo que nos falta, mas também nossos aspectos semelhantes: afinidades, valores, metas de vida, pensamentos e – por que não dizer – uma boa dose de sentimentalidades que cruzem, em determinado ponto, as mesmas esquinas do coração…

De minha leiga perspectiva, acredito que não há nada de mal nisso: faz parte de nossa condição humana. O lado negativo ocorre, sim, no momento em que insistimos naqueles espelhos que em nada nos alimentam.

Quando enxergamos reflexos nocivos e, ainda assim, acabamos por nos demorar em determinadas relações. No instante em que, ao invés de enxergar no próximo o nosso melhor, apenas suscitamos as características mais limitativas de nosso perfil…

Durante um tempo razoável, posso dizer que estive rodeada de espelhos quebradiços – que pouco exprimiam o que eu desejava aspirar na vida –, mas dos quais não sabia como me desapegar. A bem da verdade, minha ilusão era de que esses eram os únicos reflexos possíveis, o que se fazia um tremendo engano.

Quando consegui me desprender um pouco da necessidade de ser o que o mundo espera de mim, voltando-me aos meus próprios anseios e desejos, encontrei – finalmente – um espelho que pôde traduzir a essência da minha alma, as minhas reais demandas… um sonho fidedigno a se seguir.

Entendi, assim, que há bons e maus espelhos… Há presenças benéficas e maléficas – e, nesse sentido, não creio que seja possível um meio termo – não existe mais ou menos. Ou é, ou não é.

Dentro do pouco – mas muito – que vivi, concluo: cada um tem o espelho que merece.

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Um comentário sobre “Cada um tem o espelho que merece…

  1. Carmem Grinheiro disse:

    Olá Tatiana,
    Este seu texto diz muito nas linhas e nas entrelinhas. Sim, há presenças benéficas e as há maléficas – em relação a estas, o difícil é quando nos apercebemos do mal, quando já nos ‘colamos’ no afeto a essas pessoas. Mas há que ter a coragem da rutura, porque, realmente não há meio termo.
    bj amg

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