Retratos, 09

09

Já se passaram alguns anos desde que precisei retornar ao meu suposto aconchego, abandonar a vida que tanto me seduziu em New Jersey e seguir caminhos por aqui… Mas, uma vez que minha afinidade com G. dispensa segredos, hoje confesso: minha bagagem ficou por inteiro com ela.

Eu não queria nunca ter que regressar, mas cá estou, em meio a este eterno trânsito interno de desejos e obrigações …Talvez a alma nunca se acostume a essa realidade dos fatos, mesmo fingindo muito bem…

Sempre que necessitei voltar, a chegada foi envolta por reencontros amistosos, como de praxe, ainda que New Jersey se mantenha sempre em mim, feito batida estridente de um relógio antigo… Tornou-se impossível ignorar as lembranças que aprenderam a fazer morada aqui dentro.

Em meio a diversas chegadas e partidas, costumava aproveitar as estradas de volta para casa e acertar o meu ritmo interior… Tarefa insana? Não me furtava a ela… Encontrei no íntimo um equilíbrio entre o antigo e o recente, dividindo o mesmo espaço no pulsar do coração. De imediato, partia para desenhar as tarefas cotidianas e, … necessitava pensar enquanto me permitia tal feito!

Durante um bom tempo, a saudade doeu muito… Depois, um pouco menos.

Hoje em dia, quem sabe…?

*Este texto é parte integrante da Coletânea “Retratos”, publicada em dezembro de 2014, em formato artesanal, pelo selo Plural Scenarium.

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