Grito íntimo

“[…] se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra
para doer doer doer visível
doer penalizante
doer com lágrimas

se ao menos esta dor sangrasse”

— Renata Pallottini, in ‘A Faca e a Pedra’ —

Mais uma noite chega para me visitar, enquanto observo vontades se esvaziarem de meus poros… Até mesmo o que antes se escondia atrás de um desejo, hoje não passa de mera indiferença!

Deixei guardada em uma gaveta qualquer as lágrimas de sangue outrora derramadas. Dias a fio remexendo em cicatrizes. Marcas-agruras que larguei para trás. Dilacerar: o único verbo rabiscado em minhas paredes, é o que me conta a lembrança…

Hoje, percebo minhas vísceras se manifestarem quase que apenas na folha em branco – convertida, às vezes, em tela – que me serve de pano de fundo a um voo paralelo, onde o cinza ganha sua possível nuance colorida. Um aspecto mais trágico-dramático-sensível, como sempre apreciei vivenciar…

O ambiente opaco ao meu redor, que tão pouco – ou nada –  me diz –, apela rumo à vertigem constante nestes olhos incrédulos de dor. Grito para dentro quando a voz de fora já se faz demasiado intensa. Mas, como insistente sonhadora que sou, prefiro acreditar em uma revigorada ilusão antes do fim.

Entre a apatia e a morte, sou mais nascer de novo.

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