Às vezes, causamos ‘surpresa’ somente aos olhos alheios…

Inegável como a lua esconde o sol em um eclipse, eis-me aqui – escondida neste mundo arquitetado por mente e coração – fazendo com que a inexistência do toque perverso do medo oculte a realidade insossa de cada dia.

Ao longo de um razoável espaço de tempo, o fingimento me serviu de aresta à sobrevivência… Buscava uma presença fora de mim mesma, que completasse minhas ânsias e aspirações… que viesse amenizar tamanho fogo que me queimava por dentro, durante madrugadas corrosivas-insones-eternas…

Numa tentativa sôfrega de me desvencilhar do chão que mantinha meu sustento, olhava para aquele outro universo de possibilidades, ao qual desejaria para sempre me prender. Era nas pessoas – em suas histórias, vivências e afetos – que residia a minha paisagem lúdica de paixões, o meu arcabouço de loucuras possíveis e viagens imaginárias.

Talvez não houvesse nada de tão diverso ou elucidador assim, na espreita vizinha… Muito provavelmente fosse apenas mais um de meus delírios. De meus desequilíbrios torpes e indefiníveis… tão frágeis quanto a linha fina que sustenta a presença de um humano entre o céu e a terra. (Existirá este céu figurativo? Simbolismos bobos-exagerados-medíocres da nossa ingênua leviandade…)

Por inúmeras vezes, deixei minhas previsibilidades para depois, oferecendo morada a riscos e ousadias outras. Não sabia onde iria chegar… mas, certamente, compreendia que ali – no contraste bizarro envolvendo minhas origens –, o aninhamento desejado nunca se daria em paz.

Pouco a pouco, eu me desfiz dos muros que me cercavam e passei a construir pontes que pudessem me levar ao (possível) terreno ideal – um salto à frente, muitas máscaras para trás – tornando-me fiel à própria imagem. Mais uma ilusão provável? Não seria surpresa se sim… Mas a vida é esta sucessão de dias com noites nos entremeios, e é preciso segui-la como se pode. Como se entende… até que as coisas, um dia, quem sabe… mudem.

Deitei os olhos sobre minha figura no espelho, avistando-me como aquele retrato do que nunca deixei de ser: uma janela prestes a ser aberta, cujo último movimento fica detido. Um espiar por entre frestas. Dentro, apenas se imagina o lado de fora, confeccionado a partir de mim mesma…

Foi então que abracei o avesso de cada medo e dei as mãos a um futuro incerto, porém, necessário ao encantamento da alma. Não conhecia atalhos, mas – naquele instante – a voz íntima e essencial tratava de me assegurar do mais importante: o caminho de volta para casa.

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