Ímpar

Na tarde de ontem – de supetão, como quem leva uma fisgada no peito e sucumbe à sombra de si mesmo – a vida me deixou outra vez à deriva… e, sem pestanejar, eu recorri abruptamente aos braços dela… Às suas palavras-gestos-formas-de-existir: tão distantes do que já conheço, mas tão próximas ao que almejo ser.

A busca não foi em vão: suas letras me encontram mesmo quando a procura se mostra incerta, feito ritmo suave que dança ininterrupto em meus pensamentos.

Se sou intensidade, suas oportunas palavras me guiam a um vazio acalentador – que não se furta a sentimentalidades nem às sutilezas da alma –, levando-me ao encontro das nebulosidades internas que, por tanto tempo, busquei esconder de mim.

Seu cenário reconfortante não é adivinha, não é mistério nem privilégio: veste-se apenas tradução de um cotidiano inegável. Ela é mesmo dona de uma mística inconfundível em linhas que perfazem sua realidade encantadora, tão somente incomum. Tão somente ímpar.

Na tarde de ontem eu posso ter me perdido novamente diante do mundo, mas me encontrei de outro modo em seus olhos. Me reformatei a partir de sua perspectiva…

…e fui mais.

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