Boa sorte na sua vida.

Humildemente confesso que, nem em meus maiores pesadelos, esperei ouvir essa frase rude-seca-concreta de você, que pareceu arremesar contra minha testa um enorme tijolo, sem me permitir qualquer espécie de proteção.

Eu já havia testado todos os seus limites, isso é certo. Bati a porta na sua cara, sumi sem dar notícias, mudei até mesmo de endereço sem deixar o menor sinal de vida…

Desejava provar – ao menos uma vez – o sabor insólito da inconsequência… o verbo solto… A possibilidade de cutucar a ferida sem que ela sangrasse. O típico risco sem danos no final.

Mas as cortinas se fecharam antes mesmo do espetáculo terminar… e eu nem vi o público se levantar das poltronas. Não observei aplausos. Fui retirada do meu lugar de vítima-adolescente-mimada, tendo que – num sopro – assumir a direção do (meu) mundo. Que mundo?

Do modo mais ríspido, aprendi que certas chances se esgotam antes mesmo de notarmos que elas estavam ali – o tempo todo – disponíveis para nós. Enxergamos tão pouco… Somos frívolos demais quando o poder se apresenta próximo de nossas mãos.

Boa sorte, foi o que restou de tudo o que eu tinha. E nem isso parecia ser de verdade quando meus olhos se cerraram para não ver a morte chegar.

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