Os dias de maio…

Qualquer tempo é tempo.
A hora mesma da morte
é hora de nascer.

Nenhum tempo é tempo
bastante para a ciência
de ver, rever.

Tempo, contratempo
anulam-se, mas o sonho
resta, de viver.

| Carlos Drummond de Andrade, in ‘A Falta que Ama’ |

Maio chegou até mim oferecendo uma xícara de chá de hibiscos… me fez o convite a sentir o prazer das coisas esquecidas – com uma calma incomum, rara…

Virei a página do calendário, deparando-me com este mês e seu leque de possibilidades… preencher de música o ambiente, de modo a distrair a alma de seus deslizes incontidos… passar os olhos sobre as centenas de livros guardados na estante e trazê-los ao agora, ao hoje que me resta…

Maio é este conjunto de dias sem grandes premissas em meu íntimo, mas que – a despeito disso – consegue inserir em sua passagem uma leveza… um carisma… uma despretensiosidade inexistente em qualquer outro mês.

Parece-me como um período de revigorar energias, repensar conceitos e, justamente por esse fato, tudo pode acontecer… ou não!

Sento-me aqui, diante da tela em branco, a praticar o exercício que mais me tem sido comum nos últimos dias: observar o ar entrando e saindo de meus pulmões… perceber que a vida é um sopro que cabe na palma de nossas mãos e – por tal fragilidade – pode se esvair dentro do instante presente…

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3 comentários sobre “Os dias de maio…

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