Julho e seus horizontes…

“A vida que imaginamos é uma casa transparente sem janelas nem saídas. A gente a constrói com palavras e silêncios, abraços e afastamentos, uma vida paralela a isso que parece o concreto cotidiano. Ali o amado não entra, a amada fica de fora, sombras e luzes como espectros dançam e acenam. Fora dessa casa de vidro existe outra vida, que chamamos real. Com pão e manteiga, aroma de café, lençóis úmidos de sexo, filhos correndo, pais envelhecendo, contas a pagar, cargos a ocupar, nomes e marcas e tráfego e sonhos e consumo, e sonhos de consumo. E dor.”

| Lya Luft, In: ‘O tigre na sombra’ |

Existem dias em que o aconchego e o conforto de ser quem sou surgem como uma composição de Bach: com suavidade, num crescente inconfundível, fazendo com que as notas se harmonizem em naturalidade plena…

Há outros momentos, porém, em que quase não me reconheço nas notas da canção… A melodia ganha impasses que repelem a delicadeza da alma, afastando qualquer possibilidade de esperança…

Felizmente, o mês de julho trouxe consigo o prenúncio de sonoridades amenas, permitindo repousar não apenas o coração, mas também o olhar e seu cansaço vicioso de antes…

Escolhi alguns livros a serem degustados, reordenei compromissos de trabalho e propus outras oferendas a este novo ciclo que se coloca diante de mim. Nem sempre (ou melhor, quase nunca…) consigo cumpri-lo como desejo, mas o fato de planejar já é uma premissa… um passo rumo ao dia seguinte…

A depender das circunstâncias, percebo o quanto me acostumo a simplesmente ‘não estar bem’… e a chegada de julho me propiciou a coragem para desafiar esse pensamento: em que medida é preciso – de fato – me conformar com o impossível?

Não possuo todas as respostas na manga, e confesso: que bom que o calendário se faz generoso nesse sentido, brindando meu caminho com trinta e uma chances para repensar e organizar esse ciclo insano-maluco-rebelde-tardio no qual me insiro…

Tenho buscado oferecer uma pitada de poesia aos meus dias, até mesmo quando eles se mostram um pouco nublados… E, enquanto assisto às manhãs chegarem, com seu brilho iluminando a janela… sorvo mais um gole de coragem (preferencialmente, disfarçado de café – seu formato mais genuíno) e me preparo para a vida que desejo re-desenhar…

Ainda nem escolhi todas as cores e formas… mas a alma me diz que já é hora de pulsar outra vez, afinal, há tanto lá fora que ainda não vivi… E outro tanto, dentro de mim, que necessito experimentar!

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3 comentários sobre “Julho e seus horizontes…

  1. Mariana Gouveia disse:

    Que texto mais gostoso. Quase uma premonição de que os dias de julho serão imensos em poesia e aconchego.
    Sinto saudades de ti.

    Curtir

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