Um aparte

A melhor reinvenção de mim
é você, que me abraça com
um sorriso estonteante e
rememora lembranças daquela
que ainda não fui.

Meu mais profundo suspiro
surge a partir do seu esboço
sereno: face simples, mas tão
plena de si. Alma oculta dos
medos da vida.

Anúncios

Versos que nos despertam para a vida…

“Quando se olha para a vida sem romance, tudo se torna descartável, a começar por si próprio.”

(Poeta da Colina)

Foi de maneira um tanto despretensiosa que os versos dele chegaram aos meus olhos.

A princípio, eu o conheci pelo Twitter, passando para algumas trocas no Facebook e, finalmente, adentrei o espaço aconchegante do seu blog.

O encantamento foi imediato e a identificação também, pois ele parecia falar das minhas emoções mais primárias e importantes.

Ao lançar seu primeiro livro – Poeta da Colina – Um romântico no século XXI – no ano de 2011, fui logo garantir o meu exemplar, afinal, imaginei que suas letras seriam ainda mais acalentadoras quando reunidas em uma compilação…

O querido Danilo Mendonça Martinho é um doce de pessoa, que ainda não ganhei a honra de conhecer pessoalmente, mas espero fazê-lo em breve.

Ele também faz parte do ról de colunistas do Retratos da Alma – blog coletivo que eu tenho o privilégio de administrar junto a mais quinze caros colegas de escrita (no momento em processo de repaginação)…

Deixo, pois, que suas letras em versos falem por mim…

A vida embaixo das estrelas

Não conheço estrela cadente
Só conheço a chuva fina
E o pôr-do-sol avermelhado
A noite sempre foi escura
Salvo as de Lua Cheia
As estrelas não iluminam
Muito menos caem do céu
Olho para elas todas as noites
Nenhuma delas rasga a escuridão
Sorte de quem vê e pede
Meus desejos continuam aqui
Nesse mesmo chão
Sonhos em preto e branco
Nascem todos os dias
Por mais que morram todas as noites

— Danilo M. Martinho —

Existência

Eu sou aquela que queria ser outra

Mas, na tentativa sôfrega de silêncio, sucumbiu à essência

Foi milagre, salto pulsante de ideias e cores

E se fez viva como nunca imaginava ser

Eu sou a promessa insólita, a dívida do fraco

A incoerência do forte em se fazer digno de luta

Fui seresteira do mato, hoje busco alento

E canto, porque tudo o que sei é cantar

Eu sou a troca do inusitado, magia daquela época

Sopro de susto, nascida à beirada

Mas vivente, juíza final da sombra que se fez luar

Apenas berço aspirante a um crescer

Eu sou a poesia desejosa do mundo

Com um universo à parte, para não esfriar

Uma vontade insana de grito, mesmo que seja para dentro

Pois é aqui no íntimo que vivo, este é o lar que me abriga

Eu sou esta que vos fala

Não sei se um dia serei outra, nem o quanto adentro em mim

Mas o eco das palavras me traz uma espécie de certeza

Das horas, dos fatos, da vida…

 

De um lugar chamado existência.