O que restou de ontem…

Os dias de janeiro tiveram seu início há menos de duas semanas, mas é como se já transitassem em meu íntimo desde muito antes… Esperei por sua chegada – durante dezembro inteiro – feito botão que aguarda ser flor no despertar da primavera!

Confesso já ter sido bem mais adepta ao clima de final de ano, com suas celebrações, nostalgias e retrospectivas mil… Porém, dessa vez foi diferente: eu queria que 2015 entrasse sem bater… escancarasse as minhas janelas, se preciso, mostrando a que veio… Desejei o dia seguinte acima de todas as coisas, porque viver no “hoje” parecia – de certo ponto de vista – insustentável e exaustivo.

Eis que chegou o dia primeiro, depois o segundo… e esta alma que vos fala – já não se negando errante – percebeu, mais do que nunca, a estranha sensação de que algumas coisas podem ficar para amanhã…

Despertei como se ainda fosse ontem… estico os dias em suas horas intermináveis – devido ao calor, ou à própria existência em si, que já é motivo de sobra – e caminho rumo às respostas para perguntas que, até segundos atrás, não existiam.

Por aqui já é ano novo, dizem… janeiro fez as honras da casa… mas eu só quero um pouco mais de silêncio para sentir os espaços em mim!

Um breve aceno…

Uma alma sábia ensinou-me, certo tempo atrás, que a palavra não nasce pronta… e, se eu pudesse resumir o ano que se passou em um só aprendizado, penso que este se encaixaria perfeitamente.

Ao longo dos últimos meses, tive a possibilidade de compreender que não apenas a palavra necessita ser lapidada – construída e reconstruída – a cada novo instante: nós, seres humanos, também deveríamos assumir esse compromisso com a vida, todos os dias.

Posso arriscar dizer que, em 2014, descobri que trabalhar a palavra é – de fato – algo que fala comigo.

Escrever aqui no blog ou em outros espaços tornou-se um treino diário que, por vezes, flui feito as ondas do mar… em seu ritmo próprio, natural e contínuo. Sem necessidade de aparar muitas arestas.

Já em outros momentos, temos que enfrentar os embates que surgem, as barreiras… o branco do papel! O excesso de ideias que se misturam e quase sempre nos levam ao nada.

Percebi – a duras penas – que o melhor a fazer quando isso ocorre é respirar fundo, esvaziar um pouco os sentidos e, se preciso, começar tudo outra vez!

Aprendi, fundamentalmente, a deixar de sentir vergonha por ter que editar, transformar ou suprimir palavras, afinal… permito-me fazer a comparação entre um texto e uma ópera: até que todas as notas se afinem, a melodia não estará completa.

Meu desejo é que em 2015 possamos compartilhar ainda mais sentimentos em forma de letras, versos, frases e páginas inteiras…

Obrigada pela companhia e… até já!

Feliz ano novo!

No momento presente, a pausa…

“Rema as horas da sua vida com doçura. Porque nada somos, porém causamos tão longos ecos!

– Rita Schultz –

Os finais de ano costumam exalar um aroma de renovação por quase todos os cantos que vejo. É geralmente a época na qual determinados ciclos se fecham para que outros possam se abrir, na presença de uma euforia mais que veloz.

Quer-se tudo para ontem. Para anteontem, se assim possível for. Não há muito tempo para a verdadeira reflexão, ainda que, nos discursos festivos, tal palavra seja bastante eloquente e constante.

Desejamos ir, seguir, caminhar… sem necessariamente saber para onde. E talvez seja por isso que, ao findar do ano seguinte, não tenhamos realizado as mudanças que tanto gostaríamos…

Não é por falta de garra, muito menos por escassez de esforço pessoal. Manhã após manhã, acordamos, passamos uma água no rosto e partimos rumo à tentativa de ganhar “o pão nosso de cada dia”.

Mas, de repente, sem nem nos darmos conta, já fomos absorvidos pelo cotidiano, realizando quase tudo de modo automático, num espírito competitivo que inevitavelmente nos aniquila, pouco a pouco.

Fazendo uma breve retrospectiva, posso dizer que, mesmo em meio a uma correria insana e um ritmo bem mais acelerado que o natural, meu ano de 2013 foi muito produtivo.

Pude crescer emocionalmente, desenvolver minha persistência e vencer barreiras que jamais acreditava serem possíveis de se ultrapassar.

Após um período de árduo trabalho – sem me permitir tanto tempo para pensar sobre mim e, até, sobre a vida em si -, a minha proposta para este novo ano que se inicia é, pura e simplesmente, pausar.

Pausar, primeiro, para ler com calma toda aquela imensa pilha de livros que está guardada com tanto carinho em minha estante, esperando para ser devorada e apreciada…

Pausar para cuidar de mim – do meu corpo e da minha alma -, que demandam extrema atenção e para os quais, sinceramente, nem sempre “dou bola” tanto quanto necessário…

Pausar para te encontros com os amigos queridos, oferecer longos abraços, degustar cafés em boa companhia, descansar….

E, por que não, também continuar trabalhando em prol daquilo que preciso e quero, mas em uma medida que me seja benéfica – sem invadir demais os espaços que me cabem.

Será pedir muito? Talvez… Mas, às vésperas de celebrar o ano novo, lanço o desafio a mim mesma e a quem mais quiser me acompanhar.

Vamos seguir em busca de uma vida mais plena, significativa e leve. Vamos nos permitir ser simplesmente nós mesmos – o que, acreditem, já é muita coisa!

E, quando chegar 2015, se tivermos conseguido nos aproximar um pouquinho mais do nosso próprio coração – ah… certamente o ano já terá valido muito a pena!

Agradeço a todos que me acompanham aqui neste espaço, por meio de visitas, divulgações e comentários. O carinho de vocês faz toda diferença!

Que possamos continuar juntos por muito tempo, trocando o mais íntimo de cada detalhe entre nós…

Feliz pausa nova!