Encantamento em letras…

Eu queria estar dentro do seu coração para sentir o que você sente enquanto deita suas linhas no papel… São palavras que parecem tão mágicas que me soam como puro encantamento – algo que não partiria de um ser comum – mas sim de alguém com raras habilidades sensíveis para esmiuçar a alma humana.

Eu queria entender como você concilia seu cotidiano – aparentemente tão rotineiro, aborrecido e repleto de regras – com a delicadeza esbanjada em cada um de seus versos, que espelham o sentir em sua forma maior.

Eu queria estar em sua pele para compreender de que maneira surge a inspiração, que suavemente parece escorrer pelas pontas de seus dedos em direção ao nosso íntimo – sem barreiras, sem exigências – apenas substrato da natureza…

Sabe… às vezes, eu queria ser você por cinco minutos… Porque, quando escreve, você é um pouco de cada um de nós – todos os dias – ao longo de uma vida inteira.

*Para Mariana Gouveia, que traduz o lúdico em mim…

Reticências…

Recostada à cama, enquanto ensaiava começar uma nova leitura, pus-me a pensar acerca de fatos inusitados do cotidiano…

Soa-me interessante, por exemplo, não nos sabermos precisar de certas coisas-pessoas-situações, até o instante em que elas surgem aos nossos olhos… eu poderia ter passado a vida toda sem provar chá de hibíscos – o que me faria perder um adorável sabor, certamente – e, a partir de minha ignorância, não precisaria prová-lo…

De maneira semelhante, tenho o desejo de visitar Paris e, ainda que se trate de um sonho que lateja em meu coração, sem acontecer, ao menos por enquanto…  conhecer a cidade – tomar partido de suas ruas, tonalidades, sons e aromas – talvez fosse como provar de uma xicara de chá de hibiscos…

Assim faço-me existir – em estado de paixão – até que se esgote por completo o encantamento em mim…