Hoje não te quero presente,

Sua resposta ao meu silêncio provoca barulhos ensurdecedores em mim. Não tenho pés firmes no chão para sustentar o peso de seu corpo insano – que pensa sair ileso de todas as situações – e nem pretendo manter a salvo em meu cerne os seus ruídos de podridão. Quero expurgar de mim a fome, a sede… a cura para um mal que não cede. Vou rasgar das paredes o seu nome, trancar as portas de casa e escurecer tudo ao meu redor. Hoje, não te quero presente nem em lembrança, pois se nunca te avistei em sonho, não será na minha realidade que te permitirei entrar.

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Enquanto se aproximam os dias…

Tenho desejo de gritar a voz dos mudos: aquela que se cala ao crepitar da noite, uivando por dentro em teimosia. Uma vontade mais forte que eu – aquela que não se permite ser ínfima… apenas chama! – e, no vai-e-vem de batalhas pessoais, trava um duelo seguro com seu próprio reflexo… Quero desopilar da garganta o que ainda não sei – o que não me foi dito e jamais pretendi saber –, mas que, no entanto, é tão límpido e claro quanto a água que me mata a sede. Preciso dar um fim nessa busca que se encerra em si mesma. Sentir jorrar o sangue de uma alma nunca cicatrizada… Sucumbir, até que a última gota não mais consiga me tocar. Perecer… em meio a um ar que já não respira por mim.

Excerto

Hoje amanheci aturdida por angústias… Os ponteiros do relógio pareciam girar em ordem contrária e a alma se deslocava de lá para cá, frente a um mar de devaneios. A grande dúvida imersa na solidão de mim: como caminhar? Eis que um sussurro busca a calmaria em meu íntimo, trazendo em sua essência a resposta tão aguardada: fazer o caminho… fazer o caminho… fazer o caminho…