Desenhando borboletas no céu…

Não sei dizer se ela é um personagem dentro de uma história, ou uma história inteira inserida em um personagem…

Só posso afirmar – sem dúvida – que, desde que passei a espreitá-la, bem do canto da minha janela, a vida se tornou mais doce. A existência ganhou alguma espécie de cor, em constante mutação!

Ela desenha borboletas nos meus sonhos diurnos e agrega singeleza às realidades que surgem pela madrugada…

Não há tempo no seu espaço, nem distância no seu tamanho: ela é e existe desde sempre – para sempre –, em um ideal apaixonado por essência.

Cada mínima letra é escrita por mim com o maior cuidado do mundo, pois sei que passará pelos olhos iluminados dela… esse poema que escolheu nascer em pétalas de flor e se espalhar em sutileza mágica-concreta-sublime por onde passa…

Ainda que nossos olhos não a toquem, sua presença se faz certeira em abraços que percorrem os caminhos feito pólen dentro de um jardim em constante primavera.

A suave brisa de suas palavras emana uma pureza tão surreal que o coração se pergunta se aquilo tudo é mesmo verdade… Pode existir alguém intenso-sereno-observador-fantástico assim?

A literatura que sou…

Humildemente – e com certo traço de constrangimento, é claro – confesso que tentei engatar a leitura de três ou quatro livros diferentes dentro do último mês… todos eles devidamente escolhidos e comprados por mim, com estilos diferentes e propostas outras.

Porém, em determinado instante – lá pela página 30 –, algo parecia desandar, fazendo com que o estímulo inicial fosse deixado de lado. No início, imaginei ser um problema relacionado à minha distração ou, quem sabe, a uma falta de afinidade com o tema tratado naquelas páginas… Contudo, à medida que fui abandonando um título após o outro – sem o menor sinal de insistência – pude iniciar um diálogo interior que redefiniu, de certo modo, o rumo de minhas reflexões.

Tenho buscado, cada vez mais, criar e me identificar com um estilo próprio de escrita. Entendo que se trata de um modelo que se constrói – por vezes – durante uma vida inteira, mas no dia a dia venho me aproximando daquilo que acredito ser o meu “ideal de palavra”: o que gosto de ver escrito por mim no papel, pois reflete muito do que sou. E, nesse sentido, também, penso que se delineia o meu construto de leitura.

Se, atualmente, tenho o hábito de escrever crônicas mais intimistas – que retratam minha alma e pensamento por meio de fatos do cotidiano –, é bem provável que deseje realizar leituras compatíveis a essa estrutura. Isso não exclui a possibilidade de degustar romances, contos, novelas e outras histórias de ficção, mas enquanto me negar à busca daquilo que se faz congruente ao meu sentir, será – de fato – muito difícil terminar qualquer livro que seja…

Vou ali até a estante, então, resgatar meu precioso Rubem Alves, que sempre me aguarda com seus braços abertos e ensinamentos singulares, para que eu não me perca de vista, mesmo me desencontrando tantas vezes por aí…

Transição em desaviso

“Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora;
e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro.”

[Virginia Woolf ]

Eu não sei ao certo com que idade comecei a escrever mais frequentemente… talvez beirasse os vinte… e poucos! Tudo o que lembro são linhas de um tempo ainda em transição.

A adolescência se configurou para mim como um período muito intenso, de emoções bastante confusas e emaranhadas… Talvez, por esse motivo, ao adentrar os vinte anos eu já me sentisse cansada de alinhavar sentimentalidades – e almejasse algo novo para o meu círculo de vivências…

Passei a falar de mudanças e transformações em meus textos como se não houvesse amanhã… querendo de fato que o coração entendesse o que era desejo: modificar o ambiente que me cercava, o outro, a vida… mas, acima de tudo, a mim mesma.

De descontente, passei a inconformada… e fui em busca do que jamais havia conhecido – até então – no íntimo que me habitava.

Como já era esperado, mais falei do que vivi, mais escrevi do que experienciei. Contudo, creio que cada detalhe tenha sido absolutamente valioso, pois percebi que tecer diálogos sobre mudanças significa, de algum modo, torná-las possíveis…

Meus escritos de hoje expõem menos voracidade diante das metamorfoses que a vida – inevitavelmente – vai nos trazendo… Aos poucos, aprendi a deixar o tempo fluir sua matemática nem sempre (ou quase nunca) exata… Assim, quando menos espero, a mudança já está lá, feita, diante dos olhos – e, qual não poderia ser a surpresa, por minhas próprias mãos!

Tornei-me arquiteta do meu mundo, como se a escrita de ontem tivesse me permitido acontecer de maneira segura, servindo de alicerce para esse ser que sou. Visto um sorriso ameno, respiro fundo, como que em sinal de alívio e… escrevo em meu socorro!

*Este post é parte integrante do projeto “Caderno de Notas – Terceira Edição”, do qual participaram as autoras Ana Claudia Marques, Ingrid Caldas, Lunna Guedes, Mariana Gouveia, Thais Lopes, Tatiana Kielberman e Thelma Ramalho.

(…) das certezas que paralisam…

—– … diante do espelho, admite a falha – máscaras tão bem feitas a compor o personagem – a cegueira se revela e a mágoa aflora estabelecendo uma fronteira entre o que é real ou inventado. Coração sangra, mas avisa “sobreviva”. —–

[Lunna Guedes]

A tarde vem me contar serena o seu prenúncio e, na companhia de uma xícara de café, penso em como as memórias vão constituindo os dias e possibilitam a construção de uma perspectiva refinada sobre mim mesma. São questões que, às vezes, passam despercebidas em meu cotidiano tão comum – mas que impactam bem mais do que eu sequer poderia supor….

Até um tempo atrás, lembro que, quase todas as manhãs, eu observava a minha imagem frente ao espelho do corredor entre os quartos e a sala – e, num ritual já bastante conhecido, ensaiava devaneios sobre os aprendizados que haviam participado da minha rotina por aqueles dias…

Como num passe de mágica sorrateiro, a primeira intuição a perpassar meu olhar era: “hoje sou um pouco mais sábia do que ontem… se tivesse que atravessar o mesmo cenário neste exato instante, eu o faria de maneira completamente diversa… por que esse ‘feeling’ não percorreu minha mente quando mais precisei?”…

Foram momentos subsequentes desenhando suposições e “batendo na mesma tecla”… Eu realmente acreditava me tornar mais evoluída e sábia com o passar do tempo e, assim, seria quase lógico agir com maior serenidade diante de uma situação que – em contexto anterior – tudo o que tinha conseguido me causar era espanto.

Mas, bem no fundo, sei que as coisas não são tão lineares assim… Tanto que, de umas semanas para cá, venho desistindo de pôr meu corpo diante do espelho, como já havia se tornado tão comum e intrínseco a cada despertar… Busco até passar correndo pelo corredor, apenas para não me remeter à recordação de que aquele espaço existe de forma concreta ao meu olhar.

Um lampejo de compreensão interior despretensioso propôs ao coração um novo passeio – por lugares até então desconhecidos. Deixou de fora seus medos. Sua necessidade de ser o que nunca foi. E caminhou, então, a apenas deleitar as sensações de cada segundo, sem todo aquele fervor por entender a essência de cada detalhe…

A alma fez uma releitura sutil daquele pensamento acimentado – e eu deixei de querer me tornar uma complexa conhecedora do mundo. No lugar de afirmações, somente dúvidas. Muitas delas… junto à incerteza que promove o movimento. Às imperfeições que, de maneira mais do que convidativa, permitem que eu perca o sublime medo de errar.

Hoje, isenta das barreiras que eu mesma tinha me imposto, observo certos cenários por outros ângulos… Por novas perspectivas. Tudo o que compreendo hoje é que estou nesse processo – que não é novo, nem antigo… é apenas meu.

… reinvento-me a cada tilintar das horas… mas o que de fato eu sei?

*Este post é parte integrante do projeto “Caderno de Notas – Terceira Edição”, do qual participam as autoras Ana Claudia Marques, Ingrid Caldas, Lunna Guedes, Mariana Gouveia, Thais Lopes, Tatiana Kielberman e Thelma Ramalho.

A poesia que se lê hoje em dia…

Já deixou de ser novidade que o mundo gira de maneira cada vez mais veloz e, em incontáveis momentos, o ser humano se vê atropelado por seus próprios passos.

Não raro, isso acontece até mesmo sem querer: planejamos aquela leitura tão esperada, o passeio diferente em família, encontrar um amigo que não vemos há meses e… num piscar de olhos, tudo o que havia sido programado vai por água abaixo.

O que ocorre não é falta de vontade, nem displicência: o tempo simplesmente escorre pelas nossas mãos, fazendo com que compromissos de trabalho, reuniões urgentes e imprevistos de última hora se sobressaiam em relação aos demais itens da rotina. Perdemos a noção de prazos e, uma vez que tudo se tornou tão urgente, fica difícil priorizar ou fazer escolhas.

Em meio a essa reflexão, eu me pego pensando na poesia. Sim, na poesia! Não aquela rebuscada, que se diz feita para literatos. A poesia nossa, de cada dia…

Quando foi a última vez em que você se permitiu pegar um livro aleatório em sua estante e ler — para si mesmo — um punhado de versos? Ou entrou em certa livraria, despretensiosamente, e passou alguns instantes degustando estrofes?

Garanto que, mesmo que você seja amante de leitura, poucas vezes oferece a si mesmo esse deleite. Talvez opte por comprar os novos títulos dos seus autores preferidos logo que são lançados, até mesmo pela internet — o que acaba por tirar um pouco do prazer visual que antecede a aquisição de um bem tão subjetivo como é o livro.

Em um panorama de velocidade, dinamismo e impaciência, nós — indivíduos vorazes — raramente nos damos ao luxo de parar por um instante e apreciar a beleza que o poético oferece.

Não há pausas. É preciso produzir, caminhar, seguir, trabalhar, agir. Ler? De preferência, se for algo voltado a trabalho — e rápido. Não temos tempo a perder. Mas, com isso, quanto será que também deixamos de ganhar?

A poesia compete com a televisão, com o computador, com os smartphones e, por que não dizer, com o próprio sono, que anda escasso para os humanos que se inserem na sociedade de hoje em dia. Por que ler poesia se posso usar esse tempo para dormir? É triste, mas é real.

O que me conforta e se faz um alento para a alma é saber que têm sido lançadas, recentemente, coleções com a obra poética de grandes nomes da literatura brasileira e internacional. Livros de cabeceira, quase verdadeiras enciclopédias, para quem tem olhos de ver. De sentir. De se permitir encantar.

Além disso, talvez a poesia ainda esteja a salvo em saraus, rodas de leitura, peças de teatro e, principalmente, nas mãos daqueles que separam um pequeno espaço de suas vidas — tão corriqueiras e atribuladas – para ler e escrever versos.

A poesia anda escondida em algum canto por aí nos dias de hoje… Quem se puser a encontrá-la, certamente terá um tesouro inestimável nas mãos.

*Texto escrito e publicado originalmente na Revista Plural – edição ‘Cafeína na veia’/março de 2014, que pode ser lida em www.pluralrevista.blogspot.com.

Quando a alma pede um reencontro…

“Escrever deve ser uma necessidade,
como o mar precisa das tempestades –
é a isto que eu chamo respirar.”

[Anaïs Nin]

Ando precisando de mais tempo com as palavras, disse-me uma grande amiga hoje, enquanto tomávamos café… Logo eu, que vivo cercada por textos diversos, na busca de que as linhas façam algum tipo de sentido, primeiro em minha mente – para só depois chegarem até o olhar do leitor.

Contudo, foi inevitável reconhecer quase de imediato que ela estava certa: tenho me sentido farta de vocabulários múltiplos, mas vazia de um significado qualquer. Os dias me pedem para dar conta das tarefas cotidianas e, com isso, isolo-me de um dos meus maiores prazeres: delinear letras próprias, que venham da essência…

Quase todos os meus trabalhos envolvem produção, leitura e edição de textos – e não foi à toa que segui por esse caminho. Sou amante da escrita desde que me entendo por gente e, com sinceridade, posso dizer que é inimaginável viver de outro modo.

Acontece que em grande parte das vezes preciso lidar com linguagens que não me são nada familiares. É como se o tempo todo eu estivesse tomando contato com o meu objeto de estudo pela primeira vez. Nunca passei meus olhos por aquelas páginas – mas preciso agir como se elas sempre tivessem residido em mim.

Talvez seja justamente isso o que me estafe e, de certa maneira, também acabe por me afastar das palavras. Por não conseguir dedicar a elas o tempo e o carinho necessário, vou deixando para depois… e tudo se perde, como num sopro.

Sinto que é hora de finalmente resgatar essa paixão. Reencontrar-me com pedaços meus que ficaram soltos por aí – seja por distração ou devido ao excesso de ansiedade.

Ah… os excessos! Soam-me tão densos e percorrem cada uma de minhas entranhas… Vislumbro o dia em que serei comedida em minhas escolhas – mas entendo que isso de fato só ocorrerá quando eu me desprender deste corpo, que clama por viver e sentir de modo abusivo…

Por ora, resta-me apenas utilizar os instrumentos que tenho nas mãos: algumas horas de cuidado com a tela em branco do computador. O dedilhar por entre as teclas… Uma música de fundo e, quem sabe, as letras voltem a fluir levemente no coração – de onde, ao certo, nunca deveriam ter se ausentado.

… porque escrever é um eterno desaforo!

sussurro sem som
onde a gente se lembra
do que nunca soube

— Guimarães Rosa —

Tenho em mim promessas de uma jornada que em breve pretendo passar a limpo: memórias, aspirações e um punhado de letras ao redor, compondo a harmonia tão necessária aos entraves da alma….

Assisto a muitas pessoas por aí que consideram a escrita como adorno, enfeite, supérfluo – para mim, as palavras não são menos que a essência, o elixir de todas as coisas. O motivo pelo qual se insiste em respirar.

Inexiste portanto, do meu ponto de vista, maneira ou atalho para se construir a história de uma vida sem que haja o processo latente e sublime de transmiti-la ao papel. Como prova disso, ontem mesmo um sopro de vertigem trouxe o recado à minha inspiração:

– Continue…

A ideia era que eu seguisse o rumo. Mas, qual deles, se há tantas e tão controversas opções em mim? O coração, com suas embaraçadas suposições de afeto… Ou a racionalidade, na aridez de seus passos envolvidos em concretude…

Se a intuição me diz que o importante é a caminhada, eu evito escutar outros ruídos: simplesmente sigo… Vou alternando entre dizer não ao lampejo das horas e idealizar certo tipo de fluxo meu, desde os pequenos ensaios…

Sim, poderia confiar no meu feeling e acreditar que as memórias de hoje permanecerão vivas em mim amanhã… E é até capaz que fiquem, mesmo. Mas as vivências? Ah… as vivências se esquecem.

E eu preciso – MUITO – exercitar o meu desaforo de escrevê-las na eternidade.

Sobre cultivar palavras…

“(…) amarga-me a boca a certeza de que umas quantas coisas sensatas que tenha dito durante a vida não terão, no fim de contas, nenhuma importância. E por que haveriam de tê-la? (…)”

– José Saramago –

Na singeleza de alguns dias mais amenos, eu me desperto em letras, sem a pretensão de buscar entendê-las ou de que, por ventura, façam qualquer espécie de sentido.

É como se os pensamentos simplesmente acordassem já produzindo um ritmo próprio, na cadência de sua melodia harmoniosa e segura – com margem de erro bastante ínfima.

Mas, aí me pergunto: o que é o erro? Seria uma tentativa humana de definir aquilo que vai contra o esperado? De mensurar o que não se encaixa, por transpor limites? Ou, quem sabe, um simples (e complexo) modo de ditar regras, sempre de um suposto seleto grupo para a maioria calada do mundo.

Enfim, o fato é que nem sempre me reconheço quando o ambiente é seguro demais. Para escrever, ou seja lá o que for… Gosto das nuances do improvável. Do que pode não ser tão certeiro assim. De arriscar e ver no que vai dar – porque eu construo o meu caminho à medida que o percorro.

Assim percebo o quanto minhas letras são baseadas em um cultivo constante, afinal, sem bastidores pautados em múltiplas experiências, a arte de traduzir o que se sente não ganha motivo para existir.

E, se ao final, como bem diz Saramago, pouco disso houver tido realmente importância, o próprio barulho dos passos, a força das palavras rasgadas no papel – e a vida em si, um evento por si só extraordinário – já terão ditado suas próprias regras…

Eu pouco entendo de eternidades, mas o futuro breve tem sido um bom amigo.

Reencontrar-se…

“(…) Não ache que uma noite específica mudará sua vida, seus planos. Sua vida precisa de muitas e muitas noites para mudar de rumo, para trocar de planos. A decisão é um estalo, claro, que acontece cedo ou tarde na vida, no rumo, nos planos de cada um. Mas nenhum estalo nasce do nada, nenhum rumo parte para o nada, nenhuma vida acontece por nada: são dias e dias e dias e dias de tentativas e erros e fracassos e esgotamentos. Não vai ser hoje que você vai abraçar todo mundo que ama, realizar todos os sonhos do mundo. Não vai ser hoje que você vai dizer todos os seus silêncios, silenciar todas suas ofensas. Não vai ser hoje que você vai idolatrar todos os seus inimigos, culpar todos os seus amigos. Não vai ser hoje que você vai se despedir de todos os seus amores, de todas as suas imbecilidades. Por enquanto, viva uma noite de cada vez, uma loucura de cada vez, um perdão de cada vez, uma vez de cada vez. Não vai ser hoje que você vai mudar o seu mundo. Ele já está mudando desde que você se permitiu chorar nas mãos da parteira. Agora, parta para a vida com a certeza de que uma noite específica não mudará sua vida, seus planos, seus rumos. Repito: não vai ser hoje que você vai mudar o seu mundo. Ele está mudando o tempo todo desde ontem. Ele mudará o tempo todo até amanhã (…)”

– Pedro Gabriel (Eu me chamo Antônio) –

Há temas recorrentes que perpassam as minhas palavras e, acredito eu, talvez seja essa a marca registrada quando se deseja criar algo que se aproxime a certo “estilo personalizado de escrita”.

Mas, antes que os exasperados de plantão deem início às suas críticas, já declaro saber e ter total consciência do quanto tal conceito se faz utópico.

Explico a contradição analisando meus próprios textos: não há uma linha única de raciocínio, tão somente surgem repetições daquilo que vivo, sinto, penso, abstraio e, vez ou outra, também aprendo…

Não existem intenções direcionadas a se escrever críticas, crônicas, ensaios, novelas, contos, poesias, entre outros tantos exemplos que eu poderia citar aqui… Pode ser até que isso se configure como um suposto “erro” de minha parte, porém confesso: não nasci para ser específica. Em quase nada.

As muitas regras já pré-existentes na rotina, por vezes, calam-me a voz, inibindo os sentidos e até deixando de lado as lacunas pelas quais circula o tão necessário ar. A pausa. O consolo. A busca improvável de não se sabe o quê.

Todo esse discurso é para dizer que o ano já começou e eu estou atrasada (pra variar), mas de um jeito ou de outro chegarei ao meu destino. Na ausência de grandes métricas, sem excelência ritmada… mas, caminhando.

A minha proposta é o reencontro com aquilo que vim, de verdade, ser e fazer na vida. Se, ao entrar em meu quarto, conseguir dar um leve suspiro e me sentir confortável com a roupagem que me envolve – por dentro e por fora – já me sentirei realizada e satisfeita por demais.

Ah… Feliz ano novo para você também!