Um breve aceno…

Uma alma sábia ensinou-me, certo tempo atrás, que a palavra não nasce pronta… e, se eu pudesse resumir o ano que se passou em um só aprendizado, penso que este se encaixaria perfeitamente.

Ao longo dos últimos meses, tive a possibilidade de compreender que não apenas a palavra necessita ser lapidada – construída e reconstruída – a cada novo instante: nós, seres humanos, também deveríamos assumir esse compromisso com a vida, todos os dias.

Posso arriscar dizer que, em 2014, descobri que trabalhar a palavra é – de fato – algo que fala comigo.

Escrever aqui no blog ou em outros espaços tornou-se um treino diário que, por vezes, flui feito as ondas do mar… em seu ritmo próprio, natural e contínuo. Sem necessidade de aparar muitas arestas.

Já em outros momentos, temos que enfrentar os embates que surgem, as barreiras… o branco do papel! O excesso de ideias que se misturam e quase sempre nos levam ao nada.

Percebi – a duras penas – que o melhor a fazer quando isso ocorre é respirar fundo, esvaziar um pouco os sentidos e, se preciso, começar tudo outra vez!

Aprendi, fundamentalmente, a deixar de sentir vergonha por ter que editar, transformar ou suprimir palavras, afinal… permito-me fazer a comparação entre um texto e uma ópera: até que todas as notas se afinem, a melodia não estará completa.

Meu desejo é que em 2015 possamos compartilhar ainda mais sentimentos em forma de letras, versos, frases e páginas inteiras…

Obrigada pela companhia e… até já!

Feliz ano novo!

Quero (apenas) uma palavra para rimar comigo…

Eu não tenho muitas histórias palpáveis para contar, mas reúno em minha imaginação um punhado de sonhos que saltitam de ponta a ponta – feito mágica –, aguardando apenas um espaço para adentrar e fazer morada…

Tenho palavras prontas a serem desconstruídas – trocadas por silêncios, talvez – e não me importaria em dividir uma folha em branco com olhares que imagino, mas que, por enquanto, desconheço!

Com uma venda nos olhos, dirijo-me a uma instância qualquer – a um ponto cego, ao léu –, à deriva… Abdico da sensação de um controle por alguns segundos… e vou, aonde nunca tive coragem de ir.

Sigo com o vento e ele me leva em suas entranhas, carregando em seu ventre lágrimas, desabafos, tapas na cara, mágoas e todo o peso que não preciso mais aqui.

Quero apenas uma palavra para rimar comigo… E, se a escuta estiver aguçada – em meu íntimo – certamente a estrofe será perfeita!