‘Detalhes Intimistas’, o livro…

“A escrita de Tatiana Kielberman é, antes de tudo, um olhar atento ao espelho, onde aprecia o próprio reflexo, como se fosse uma lagarta à espera de sua metamorfose… e, enquanto espera, observa suas formas dentro das fôrmas, que é o próprio universo onde se movimenta, enquanto avança de substância em substância.
Neste livro, sua escrita soa como a última batida do relógio no qual se dá corda diariamente. A porta que se fecha com um trinco — pelo lado de dentro — em busca da certeza da solidão. A respiração intensa que se faz quando o pulmão precisa de mais ar…”

| Lunna Guedes, editora da Scenarium Plural |

“O tempo acabou.
Quase não me sobrou nada, é fato.
Mas, talvez o que reste se configure suficiente para montar um quebra-cabeça lúdico, outra nova ciranda sentimental, uma roda-gigante de medos que possa ser, minimamente, reinventada em seu íntimo.”

– Tatiana Kielberman –

Uma publicação artesanal do selo Scenarium Plural
52 páginas – em papel marfim fosco 75g
Capa em papel couchê 180g

Costura oriental 15 x 21

Valor: R$ 35,00
Encomendas por e-mail:
tatikielber@yahoo.com.br
Exemplares limitados.

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Aos olhos do poeta…

devagar escreva
uma primeira letra
escreva
nas imediações construídas
pelos furacões
[…]

(Ana Cristina César)

O poeta tomou-me o livro pelas mãos. Disse que, conforme suas crenças, de nada adiantaria percorrer uma mesma página em círculos… como se degustar suas linhas fosse uma espécie de processo elucidativo encerrado em si.

Aludida por minhas próprias razões – vazias –, não compreendi o intuito do poeta. Pensava eu que, quanto mais pudesse me debruçar sobre cada frase… cada sílaba… cada palavra: mais cedo chegaria ao entendimento desejado.

Contudo – sorte deste coração acriançado que vos fala –, o poeta avistou em meu olhar uma lassidão incomum… que já desenhava em suas rugas enfastiadas o caminho, cuja direção não solicitei abertamente, mas pela qual minha alma suplicou em profundo silêncio.

Naquele instante, o livro abdicava de ser apenas meu… e aquela página lida-relida-sorvida-saturada traduzia um universo de cicatrizes cravadas na pele… não mais contida.

Para enxergar, não basta apenas abrir os olhos…

Já faz algum tempo desde que as linhas de minha história se mesclaram em um emaranhado qualquer – indo fazer morada em fontes alheias… becos – que me remetem a uma redundância –, não saber onde fica a saída desta existência em pausas…

O acaso – sábio como somente ele consegue ser – me levou em direção a certa nuance inesperada: um livro, com sua narrativa em formato de eco, como se fosse a minha própria voz.

Em meio a um punhado de dúvidas acumuladas junto à superfície que me embala, tenho uma certeza: meus olhos se perderam – e se encontraram – naquelas páginas…  vislumbrei toda a minha vida sendo desenhada por uma pessoa que, talvez, à época, não me pudesse supor tão profundamente assim, mas que acabou por descrever cada centelha da imagem que eu precisava encontrar em mim mesma.

A partir daquela leitura única – acidental – trouxe para os meus olhos tudo que necessitava enxergar no momento – abri cortinas – encontrando respostas às muitas perguntas feitas ao destino – durante a vida…

Decerto, elas já haviam sido a mim expostas, mas não ouvidas, porque essas descobertas nunca nos são trazidas de maneira óbvia, como se fôssemos capazes de adivinhar a nossa própria verdade. Não, não somos… Precisamos de mensagens – ainda que discretas – pequenos símbolos… para que tenhamos a possibilidade de enxergar, enfim, o nosso reflexo.

… foi exatamente assim que se passou comigo e, depois disso, nada mais seguiu como antes.