Em linha reta…

Quero-te como a brisa do mar que me consome: perene… porém, perfeita em seus movimentos de tocar o céu.

Quero-te como antes não conheci o desejo em minh’alma, já que os ventos eram recusos e o tempo se fazia tardio.

Com meu feitio de pressa quero-te sempre e nunca, em compasso de espera, até que cada noite se mostre infinita em meio ao nosso sentir.

Não te desejo ilusão, nem te quero fogo que não arde: busco a luz possível entre o espaço deixado na imensidão de nós dois.

Vem?

Catarse

Quando entre nós só havia
uma carta certa
a correspondência
completa
o trem
os trilhos
a janela aberta
uma certa paisagem
sem pedras ou
sobressaltos
meu salto alto
em equilíbrio
o copo d’água
a espera do café

[Ana Cristina Cesar]

Eu quero percorrer cada uma daquelas ruas que você descreve… Quero sentir o sabor cítrico do chá que você degusta e viajar para os lugares que suas letras delicadamente visitam.

Eu quero sentir as suas sensações e pensar os seus pensamentos. Talvez porque isso me ajude um pouco a escapar deste lugar que já não me cabe mais – sabe, nem sempre é gostoso ou fácil ser eu…

Eu quero me envolver nos livros que você devora e escrever as linhas que sua caneta ensaia no papel… Quero provar o gosto da sua culinária e cumprimentar os amigos que você encontra…

Eu quero conhecer o que você sabe e ignorar o que não te importa. Quero discutir com quem te incomoda e fazer silêncio diante da beleza que encanta o seu olhar.

Eu quero me identificar com você pois já não me encontro aqui dentro. Almejo ser outra. Trocar as vestimentas – do corpo e do coração. Talvez mudar de cidade, quem sabe. Acho que eu não seria tão ousada assim…

Mas quero. Quero e preciso. Preciso e não nego.

Vou ali, fugir de mim…