Alma livre…

Ela se desmancha em pretéritos para construir o seu presente mais intenso, adornando os passos com uma lembrança de sonho que a desperta todas as manhãs…

Chegou como folha brilhante e delicada do meu outono, sem nunca ser pisada pelas solas amargas que – por vezes – tateiam o meu jardim…

O doce sorriso dessa moça já me escapou através dos dedos um sem-número de vezes, mas – dentro de minha quietude – confesso: nunca tive coragem de perdê-la de vista. Sua alma livre me orienta rumo a um descanso de mim mesma… e encontro sossego para seguir em paz.

Sua presença é como um sopro… nota musical que perfaz melodia suave e enfrenta qualquer risco de errar o tom… Modifica meus espaços, adentra barreiras jamais percorridas e – através de sua leve ousadia – possibilita o voo desejado.

Não sei dizer ao certo em que instante ela me encontrou, mas consigo afirmar – sem sombra de dúvidas – quando me perdi em seus encantamentos… Ao lado de de sua figura amena, não preciso ser outra… aquela que nunca fui, ou jamais serei.

Em nossos diálogos, posso tocar céu e mar numa mesma dimensão… e todos os meus dizeres serão compreendidos dentrro da simplicidade de um olhar.

Inconfundível em tentações e desajeitos, entristece-me quando é metade, ainda que nunca o seja de fato. Sua imagem se desenha em cada canto onde me encontro, mesmo que as paredes não a vejam… eu a enxergo quando sua invisibilidade chega para conversar com minha intuição!

É um misto de cor-fantasia-angústia-medo-suor… e solidão.

Seu nome é graça, canto, inocência…
Seu sobrenome é constraste em cada detalhe da vida.

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Quando é amor…

“(…) Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir embora (…)”

— Titãs —

É amor em cada hora na qual permaneço aguardando tua chegada – tantas vezes indócil, incerta e imprecisa -, para só então permitir que brote um sorriso em meu rosto.

É amor no instante em que percebo que o dia não começa antes de ter qualquer sinal de notícias tuas. E, exasperada, quase me perco em meio a andanças e palavras, sem saber o que fazer com esta ausência.

É amor quando noto que, antes mesmo de conhecer meu nome, eu já sabia pronunciar o teu… Porque é bonito, suave e tantas vezes mais encantador sentir os lábios balbuciarem algo que me direcione a ti.

É amor no segundo em que a nossa sincronia se faz evidente – inegável e intrínseca a cada manhã. Quando repetimos as mesmas frases sem perceber, e o pensamento converge tanto que até nos assusta.

É amor quando me vejo desesperada ao te perder de vista, mesmo que seja por questão de minutos. É perceber-me dependente de tuas marcas, de teus passos ousados e arredios – mas que, de algum modo, não se furtam a me dar a mão.

É amor em todo anoitecer – quando, antes mesmo do cansaço chegar, eu te ganho de presente, em embalagem de fita dourada. Os meus olhos se confundem com os teus e só nos resta, pois, consolidar aquilo que nasceu para ser um.

É amor no lampejo do tempo… Na lacuna em que as definições já não bastam, deixando espaço para que todo o sentimento sublime entre nós se expresse em forma de paz…